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Primeira audiência pública sobre concessão da Cedae ocorre sob críticas a modelo

25 jun 2020 às 18:16
Por: Estadão Conteúdo

Sob críticas de falta de transparência e com alguns problemas técnicos, a primeira Audiência Pública virtual sobre a concessão de parte dos serviços hoje prestados pela Companhia de Abastecimento de Águas e Esgoto do Rio de Janeiro (Cedae) evidenciou a insatisfação de representantes de sindicatos de trabalhadores do setor e estudiosos do tema com o modelo proposto pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Representantes do banco e autoridades do governo do Estado do Rio ouviram durante mais de seis horas críticas à forma como vem sendo conduzido o processo, principalmente pela velocidade como está ocorrendo e em meio à maior tragédia sanitária já vista no mundo.

O governo estadual pretende vender a outorga dos serviços de distribuição de água da Cedae, que vai permanecer com a captação e o tratamento da água. Inicialmente o objetivo era utilizar os recursos que serão recebidos pela outorga da concessão, valor ainda não calculado, para pagar um empréstimo feito com a União em 2017, hoje uma dívida em torno dos R$ 4,5 bilhões. Se o governo do Rio não pagar o empréstimo, a Cedae pode ser federalizada, mas o governo estadual já informou que poderá renegociar o contrato com o governo federal.

A previsão era de que a licitação da outorga ocorresse este ano, mas a tendência é de que ocorra no início de 2021.

Uma das maiores preocupações levantadas pelos participantes se refere à adesão dos municípios ao projeto do governo, que separou 64 municípios do Estado em quatro blocos, compensando cidades muito deficitárias com cidades lucrativas. Muitos, porém, não estão aderindo, o que poderá levar o BNDES a rever os blocos formatados na proposta levada à audiência pública, informou o representante do banco, Marcelo Albuquerque, que considera ainda ter tempo hábil para adesão.

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Segundo Albuquerque, na concessão haverá punições para quem não cumprir as metas estabelecidas, inclusive com possibilidade da cassação da concessão. Até o momento, apenas 16 municípios aderiram e cinco "estão encaminhando", segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, Marcelo Lopes da Silva.

"Os outros estão analisando e outros negaram. Isso vai ser amoldado ao contrato final", informou Silva, sem informar quantos negaram adesão.

Outro ponto foi o valor da tarifa a ser cobrada, de R$ 1,40 o metro cúbico de água a ser distribuída pela iniciativa privada, que na avaliação do presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresa de Saneamento e Meio Ambiente do Rio de Janeiro (Sintsama-RJ), Humberto Lemos, deixou de fora passivos importantes existentes na empresa como o déficit de R$ 1,4 bilhão do plano de previdência da Cedae e 38 mi processos trabalhistas.

De acordo com Albuquerque, como a Cedae não será privatizada, os passivos serão resolvidos pela empresa, que já conversa com o governo do Estado sobre o assunto.

Outro argumento contra o processo é o fato da distribuição de água ser a maior parte da receita da Cedae, que perderá o serviço e terá gastos altos para captar e tratar a água a ser entregue aos concessionários, o que também foi rebatido pelo representante do banco. "A Cedae vai continuar faturando cerca de R$ 2 bilhões por ano, poderá ter um futuro virtuoso", afirmou.

Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Serviços de Água e Esgoto do Leste Fluminense, Ary Girota, a conta não fecha. "Como a Cedae vai continuar faturando se ter o seu tamanho reduzido em 70% com a concessão da distribuição?", questionou, sem receber resposta.

Durante a audiência foi proposta ainda a realização de um referendo popular para saber a opinião das pessoas que serão afetadas pela mudança, já que audiência pública virtual ficou restrita apenas a quem consegue acessar o evento. As próximas audiências públicas virtuais serão realizadas em 6 de julho e 4 de agosto.

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