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Economia

Quartos de hotéis viram escritórios em meio à crise

07 jun 2020 às 16:11
Por: Estadão Conteúdo

Sem perspectiva de recuperar o nível de ocupação do início deste ano antes de 2023, hotéis aproveitam a reabertura gradual da economia para buscar opções de receita enquanto as viagens a trabalho e a turismo não dão sinais de recuperação. Uma das alternativas encontradas por duas redes - a francesa Accor, dona de marcas como Ibis e Mercure, e a paranaense Bourbon - foi transformar quartos vazios em escritórios. Com uma remodelação rápida - saem camas e criados mudos, entram escrivaninhas e cadeiras -, as companhias já começaram a alugar os espaços por valores mensais a partir de R$ 2 mil.

Estudo da consultoria Hotel Invest mostrou que a situação é ruim para todo o setor, mas especialmente difícil para os hotéis de médio e alto padrão voltados para o mercado corporativo. Enquanto os hotéis econômicos podem chegar a 35% de ocupação média até o fim do ano, os empreendimentos de maior valor devem ficar próximos à marca de 25%. Ou seja: um hotel de 300 quartos vai ter, em média, 75 unidades ocupadas, resultando em um quase inevitável prejuízo.

Em busca de saídas criativas para conter os efeitos da crise do coronavírus, a Accor - líder no mercado brasileiro - resolveu agir rápido. Em maio, lançou um produto apelidado de "Room Office", ou quarto-escritório. A operação começou pela rede Ibis, em 25 unidades. "Começamos por São Paulo e logo percebemos uma demanda absurda para replicar em outros Estados", conta Carlos Bernardo, diretor de hotéis econômicos e de médio padrão da Accor.

Até o próximo dia 12, de acordo com Bernardo, mais 43 hotéis pelo País vão começar a operar o modelo. Como os empreendimentos são independentes, a equipe de administração de cada hotel pode definir o tamanho do "Room Office" - pode separar uma ala de um andar, ou então um piso inteiro. O modelo de locação é flexível: "O cliente pode reservar por dia, por semana ou por mês", explica o executivo.

Para aluguel mensal, os quartos da Accor saem entre R$ 2,2 mil e R$ 3,1 mil, dependendo do tamanho. Além do escritório, o hotel também oferece como cortesia café e lanchinhos, além de servir refeições pelo serviço de quarto. Cada unidade pode comporta até dois trabalhadores. A Accor ainda busca formas de reabrir seus hotéis no Brasil. Das 300 unidades da rede francesa por aqui, mais da metade está de portas fechadas.

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Segundo maior hotel da América Latina, o Bourbon Convention Ibirapuera, em São Paulo, tem 630 unidades e cerca de 70% do movimento concentrado no turismo de negócios. O hotel é conhecido pela grande área de eventos, que tem capacidade para acomodar até 1,5 mil pessoas. Depois de passar mais de dois meses fechada, o Bourbon Ibirapuera reabriu agora - e também aposta nos "quartos-escritório" para sobreviver.

Segundo Fabiano Machado, diretor geral do empreendimento, 60 apartamentos estão sendo transformados em escritórios. Cada unidade tem 28 metros quadrados e pode acomodar até quatro pessoas. Além de ocupar quartos ociosos, o Bourbon espera que os escritórios também ampliem o movimento do restaurante do empreendimento, no qual é possível encomendar um almoço executivo por cerca de R$ 50. Como no Ibis, o cafezinho é cortesia.

Privacidade. Machado diz que o espaço privativo é o principal diferencial dos hotéis em relação a outras opções de escritórios temporários. "Além disso, o hotel não exige contrato e nem qualquer obrigação futura. O cliente pode pagar no cartão de crédito." Um quarto-escritório no Bourbon Ibirapuera sai por cerca de R$ 3 mil ao mês. A empresa deve ampliar a oferta para Curitiba e Campinas (SP).

O empreendedor Rudge Masiero de Aquino, fundador da incubadora de startups Ideas, aderiu à proposta do Bourbon Ibirapuera logo nos primeiros dias. Ele usou a possibilidade de montar um escritório novo sem burocracia para separar uma das cinco empresas de seu portfólio das demais. "É uma forma de fazer o empreendedor ganhar velocidade, pois os custos da companhia não ficam mais misturados às das outras (incubadas). É uma forma de incentivar a busca do break-even (equilíbrio financeiro)."

A empresa de sinalização digital Apps2mart foi a escolhida para ocupar um "quarto-escritório". A companhia vende uma solução que permite que supermercados façam promoções de determinados itens de seu estoque em telões instalados no ponto de venda. "Em um clique, a empresa pode mostrar a foto do produto, a descrição e o preço a partir da informação que consta do inventário", explica.

Aquino explica que prefere o ambiente do hotel a um coworking principalmente também para se proteger da concorrência. "No coworking, além de sua ideia poder ser copiada, existe uma interação entre as empresas. Isso abre a possibilidade de uma outra startup identificar um bom funcionário e levá-lo para trabalhar com ela. Você gasta para treinar um trabalhador e alguém acaba levando a pessoa embora. A gente acaba servindo de filtro de profissionais de outra empresa."

O hóspede que chega ao hotel Vivenzo Savassi não encontra mais o recepcionista face a face. Um tablet, ainda do lado de fora, permite o check-in a distância. Ao chegar ao balcão, encontra máscaras e pode higienizar a mão em álcool em gel. As refeições são servidas diretamente nos quartos, que passa por faxina a cada três dias, com funcionários cobertos dos pés à cabeça. O Vivenzo Savassi - que fica em um bairro nobre de Belo Horizonte - é o projeto-piloto de uma startup de hospedagem da capital mineira. A "prova de fogo" da operação foi manter as portas abertas em meio à proliferação da covid-19 - preparar o protocolo para seguir em funcionamento custou R$ 150 mil, segundo a empresa.

De acordo com Frederico Amaral, fundador do grupo Macna, do qual o hotel Vivenzo faz parte, 2020 vai ser um teste de sobrevivência para o setor hoteleiro. De março para cá, diz ele, foi impossível manter as contas no azul - mas, com a recuperação parcial da atividade, o empreendedor de 48 anos diz esperar fechar junho no "zero a zero". Apesar do efeito desolador da pandemia no setor de turismo, Amaral não pretende tirar o pé do acelerador. "A gente não vai frear nada. Os cinco hotéis que estão previstos serão abertos. O setor vai ter de se redesenhar - e nós saímos na frente nesse processo."

Para enfrentar as redes hoteleiras tradicionais, a Macna desenvolveu um sistema em que a parte administrativa de todos os hotéis é gerenciada a partir de uma estrutura central unificada. Não é o que ocorre nas redes tradicionais, nas quais as unidade costumam ser independentes e funcionam como uma espécie de franquia. Isso obriga que essas estruturas sejam replicadas em cada hotel.

Startup hoteleira diz que vai abrir 5 unidades em 2020

O hóspede que chega ao hotel Vivenzo Savassi não encontra mais o recepcionista face a face. Um tablet, ainda do lado de fora, permite o check-in a distância. Ao chegar ao balcão, encontra máscaras e pode higienizar a mão em álcool em gel. As refeições são servidas diretamente nos quartos, que passa por faxina a cada três dias, com funcionários cobertos dos pés à cabeça. O Vivenzo Savassi - que fica em um bairro nobre de Belo Horizonte - é o projeto-piloto de uma startup de hospedagem da capital mineira. A "prova de fogo" da operação foi manter as portas abertas em meio à proliferação da covid-19 - preparar o protocolo para seguir em funcionamento custou R$ 150 mil, segundo a empresa.

De acordo com Frederico Amaral, fundador do grupo Macna, do qual o hotel Vivenzo faz parte, 2020 vai ser um teste de sobrevivência para o setor hoteleiro. De março para cá, diz ele, foi impossível manter as contas no azul - mas, com a recuperação parcial da atividade, o empreendedor de 48 anos diz esperar fechar junho no "zero a zero". Apesar do efeito desolador da pandemia no setor de turismo, Amaral não pretende tirar o pé do acelerador. "A gente não vai frear nada. Os cinco hotéis que estão previstos serão abertos. O setor vai ter de se redesenhar - e nós saímos na frente nesse processo."

Para enfrentar as redes hoteleiras tradicionais, a Macna desenvolveu um sistema em que a parte administrativa de todos os hotéis é gerenciada a partir de uma estrutura central unificada. Não é o que ocorre nas redes tradicionais, nas quais as unidade costumam ser independentes e funcionam como uma espécie de franquia. Isso obriga que essas estruturas sejam replicadas em cada hotel. / As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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