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Economia

Taxas fecham em baixa com preocupação sobre atividade e câmbio mais comportado

17 fev 2020 às 16:57
Por: Estadão Conteúdo

Os juros futuros de médio e longo prazos fecharam com queda expressiva, de mais de 10 pontos-base, e nas mínimas históricas em meio ao aumento das preocupações com a atividade doméstica, principalmente diante do risco dos efeitos da epidemia de coronavírus na economia global. A abertura do hiato do produto foi tema de destaque das duas reuniões de economistas com diretores do Banco Central São Paulo, numa semana de vários indicadores ruins da atividade doméstica. O mercado não somente reduziu prêmios para aperto monetário, sobretudo em 2021, na curva como já retoma a discussão sobre se o próximo ciclo da Selic não será também de baixa. Pela manhã, uma apresentação do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, também na capital paulista, trouxe ruídos nas mesas de operação. Ainda, o exterior teve hoje um viés desinflacionário para a curva local, com indicadores econômicos fracos na Europa e Estados Unidos.

Após percorrerem toda a sessão regular em baixa, as taxas futuras continuaram caindo na etapa estendida, renovando mínimas, alinhadas ao dólar que também batia os menores preços da sessão, abaixo dos R$ 4,30. No fechamento, porém, a moeda terminou em R$ 4,3004.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 fechou em 4,23% (regular) e 4,22% (estendida, mínima histórica), de 4,261% ontem no ajuste. A do DI para janeiro de 2022 caiu de 4,831% para 4,73% (regular) e 4,71% (estendida), em novo piso histórico. O DI para janeiro de 2023 terminou com taxa de 5,27% (regular) e 5,25% (estendida, mínima histórica), de 5,412%, e a do DI para janeiro de 2027 encerrou a 6,33% (regular e estendida), ante 6,441%. O DI para janeiro de 2025 fechou a regular e a estendida em 5,96%, de 6,08% ontem no ajuste, na mínima histórica e pela primeira vez abaixo de 6% desde 1/11/2019.

"Cada vez mais temos visto alguns economistas com maior preocupação com os reflexos da epidemia de coronavírus, e os efeitos mais prováveis, segundo eles, seriam deflacionários. Assim, o miolo da curva tem que reagir com fechamento de taxas, como vimos hoje", explicou Luis Felipe Laudisio, operador de renda fixa da Renascença DTVM.

Ele destaca ainda a menção à epidemia feita pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Em apresentação em São Paulo, ele citou os possíveis impactos econômicos provenientes do surto entre os riscos observados pelo BC, ao lado da desaceleração global e das eleições americanas. O BC considera que os impactos "podem ser significativos" se o surto se mantiver por tempo prolongado. A apresentação gerou polêmica pela manhã, ao, inicialmente, não trazer nos slides a afirmação vista na ata do Copom de que a autoridade monetária via como "adequada a interrupção do ciclo de flexibilização monetária" na próxima reunião. As taxas chegaram a reagir com queda mais firme na ponta curta, mas voltaram, depois que o BC corrigiu a apresentação, alegando erro.

Por mais que o BC insista na sinalização de Selic estável para os próximos meses diante das incertezas sobre a potência da política monetária em meio às medidas microeconômicas, o mercado se apoia nos fundamentos e não descarta a hipótese de mais cortes adiante, uma vez que a economia não reage. Após indicadores ruins de varejo e serviço, a semana culminou com a queda de 0,27% no IBC-Br de dezembro na margem, divulgada hoje pelo BC. O mercado considera cada vez mais realista a previsão de um PIB de 2% este ano.

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