Um grupo religioso está acolhendo venezuelanos com trabalho e moradia em Londrina.
São 23 dias de trabalho. É nos fins de semana que o mutirão ganha mais reforço. A casa está sendo transformada em troca de isenção de aluguel por um ano, além da aparência, reboco e pintura, adequações em geral na construção e nas partes hidráulica e elétrica. O único quarto foi dividido em dois. A mão de obra é toda voluntária. Os materiais, doados. Assim como os móveis, que ainda vão chegar.
O objetivo é entregar a casa prontinha para receber uma família. Nesse caso, uma família de venezuelanos. O casal tem 2 filhos de 3 e 4 anos e vem pra cá na esperança de uma vida melhor.
A seleção de quem vai vir para cá, que antes era feita diretamente na Venezuela, pela 1ª vez, foi feita em Boa Vista, Roraima, que vem recebendo milhares de venezuelanos. O primeiro critério é arrumar trabalho aqui, depois, a casa, que seja uma família e Testemunha de Jeová.
O acompanhamento é feito de perto. Mas a ideia é que, em um ano, eles estejam totalmente independentes. O projeto acolheu e vem acompanhando quatro famílias de venezuelanos. Os Fernandes foram os primeiros a chegar em abril. Comerciantes, passaram por muita dificuldade no último ano. O pai, que já recuperou 15 quilos, conta que o salário de lá equivale a um dólar, enquanto tudo custa muito caro.
Todos fazem aulas de português e trabalham. A mãe só lamenta ter deixado parentes, que ainda vivem em situação precária. Por isso, se esforça para mandar dinheiro pra eles. Apesar disso, não tem dúvidas de que valeu a pena se arriscar num país estranho.
E por isso mesmo, a família faz questão de ajudar no mutirão. É o mesmo sentimento de outra família de venezuelanos, os Marin, que chegaram há três meses e em oito pessoas.
(Reportagem: Luciane Miyazaki)