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Política

Marcelo Odebrecht recua de acusação contra Lula

05 out 2019 às 07:55
Por: Estadão Conteúdo

O ex-presidente da Odebrecht Marcelo Odebrecht disse ontem em depoimento à Justiça que seria "tremendamente injusto" condenar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por corrupção em uma ação envolvendo um financiamento do BNDES para obras da empreiteira no exterior. O motivo, segundo ele, são "contradições" em versões do ex-ministro Antonio Palocci e do empresário Emílio Odebrecht, pai de Marcelo, sobre a participação do petista no caso. A afirmação representa um recuo do ex-presidente da Odebrecht em relação a seu acordo de delação premiada.

A declaração de Marcelo foi dada em depoimento ao juiz Vallisney de Oliveira, da 10.ª Vara da Justiça Federal em Brasília, em processo que trata do pagamento de propina a integrantes do PT em troca de facilidades no governo à Odebrecht. Além de Lula e Palocci, o ex-ministro Paulo Bernardo é réu na ação.

"Tudo que eu soube de Lula foi através de meu pai, Palocci e Alexandrino (Alencar, ex-executivo da Odebrecht que fez delação). E os depoimentos deles estão cheios de contradições", disse Marcelo, que foi ouvido via videoconferência. Ele prestou o depoimento em Osasco.

Marcelo havia mencionado antes, em delação, ter sido procurado no fim de 2009 por Paulo Bernardo, a mando de Lula, para tratar de um pagamento de US$ 40 milhões em troca da liberação de uma linha de crédito de US$ 1 bilhão para exportação de bens e serviços. O dinheiro seria usado pela Odebrecht para obras em Angola.

Na audiência de ontem, porém, o empreiteiro citou um depoimento prestado no mês passado por Emílio no qual ele isentou Lula de qualquer pedido indevido para aprovação do financiamento. Como Marcelo se baseava em um relato de seu pai envolvendo Lula, ele disse não ter como sustentar a versão.

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Contradição

Em depoimento em 27 de agosto na mesma ação, Emílio disse que, "em nenhum momento", tratou com Lula sobre o assunto. "Eu lhe confesso que tenho minhas dúvidas se ele estava efetivamente envolvido nisso. Não acredito, até pela relação de mais de 25 anos."

A contradição citada por Marcelo é porque Palocci apresentou outra versão no depoimento que prestou em julho à CPI do BNDES, mantido sob sigilo. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo apurou, o ex-ministro afirmou ter tratado com Lula sobre a destinação desses recursos acertados com a Odebrecht em contrapartida à ampliação do crédito da empresa no banco de fomento.

"A essa altura do campeonato, eu não posso dizer nada. Porque eu digo uma coisa, meu pai disse que falou comigo, falou com o Lula outra. Então, eu acho que precisa esclarecer a participação de Lula especificamente. Precisa ser esclarecida por meu pai e por Alexandrino. Por meu pai e Palocci", disse Marcelo ontem. "Meu pai já disse que falava para mim uma coisa e falava para Lula outra. Ele disse que se esqueceu de um bocado de coisa."

Marcelo também corrigiu uma informação sobre os valores pagos como propina pela Odebrecht para obter o financiamento. Em vez de US$ 40 milhões, disse que foram US$ 36,5 milhões. Ele manteve a versão de que o pedido partiu de Paulo Bernardo e que Palocci foi o responsável por gerenciar os valores indevidos destinados ao PT.

O procurador Carlos Henrique Martins de Lima, que atua no caso, disse ainda não ser possível avaliar se há provas de envolvimento de Lula na negociação. "Estamos numa fase da ação em que não acabamos de ouvir todas as testemunhas", afirmou. Ele lembrou que o próprio Palocci ainda não prestou depoimento na ação.

'Vínculo'

Para o advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, os depoimentos de Marcelo e de Emílio mostram que o petista "não praticou nenhum ato ilícito". "Não há como sustentar vínculo com o ex-presidente. Se ocorreu algum fato ilícito, não tem qualquer participação de Lula."

Em nota, a defesa de Marcelo Odebrecht disse que ele "sempre afirmou não ser o responsável pelas tratativas e pela relação da Odebrecht com Lula" e "reafirma seu compromisso com a efetividade do seu acordo e com a verdade". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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