O azeite de oliva é muito mais do que um simples condimento, é um ingrediente com história milenar que atravessa gerações. No quadro "A Arte do Sabor", a azeitóloga Ana Beloto, com 20 anos de experiência no mercado, mergulhou no universo deste "ouro líquido", explicando a sua evolução desde a bacia do Mediterrâneo até às prateleiras brasileiras.
A relação do Brasil com o azeite remonta a 1800, com a chegada da colonização portuguesa. Curiosamente, o uso inicial não era culinário, mas sim religioso. Os jesuítas traziam mudas de oliveiras para plantar ao lado de templos, simbolizando união e fé. O consumo gastronómico consolidou-se apenas em 1808 com a vinda da Família Real Portuguesa, que trazia o produto para uso próprio.
Apesar da tradição secular, a produção comercial de azeite no Brasil é recente. As primeiras extrações experimentais ocorreram em 1930 em Maria da Fé (MG), mas foi apenas em 2008 que o país começou a produzir azeites de altíssima qualidade de forma consistente. Atualmente, o Rio Grande do Sul lidera como o maior estado produtor, seguido pela Serra da Mantiqueira, regiões que já são homenageadas com exemplares nacionais de excelência.
Para a especialista, entender o azeite exige técnica. A degustação começa pelo olfato: aquece-se o azeite na palma da mão para libertar os aromas frescos. No paladar, procura-se o equilíbrio entre o amargor e a picância. Ana destaca dois tipos principais:
Extra Virgem Clássico: Ideal para o dia a dia, como refogar arroz ou feijão e temperar saladas.
Primeira Colheita: Feito com azeitonas mais verdes do início da safra, possui maior potência de sabor e notas herbaais, sendo perfeito para finalizar pratos intensos.
Uma vantagem para o consumidor brasileiro é a sazonalidade. Enquanto em Portugal a safra ocorre em outubro e novembro, no Brasil a colheita acontece em fevereiro e março. Esta diferença permite que o consumidor tenha acesso a azeites frescos durante quase todo o ano.