Agro

A cada 5% de alta no diesel, custo do frete sobe 1,5% para o produtor rural

03 nov 2026 às 09:00

A alta do diesel deve pressionar os custos logísticos da safra 2026/27 em Mato Grosso. Segundo análise do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a cada 5% de aumento no preço do combustível, o custo operacional do frete rodoviário sobe cerca de 1,5% para o produtor rural.


Entre janeiro e outubro de 2026, o diesel acumulou uma alta estimada entre 15% e 20%, de acordo com a analista de logística do Imea, Ébila Ferreira. Considerando uma variação de 15%, o impacto calculado sobre o custo operacional do transporte chega a 4,5%.


O aumento, porém, ainda não foi totalmente repassado aos valores praticados no mercado de fretes do estado.


“Hoje o diesel corresponde a 30% de todo o custo operacional do frete. Quando aumenta 5% o preço do combustível, isso acarreta um aumento de 1,5% no custo operacional do transporte para o produtor”, explica a analista.


COLHEITA PODE AMPLIAR PRESSÃO SOBRE O FRETE


A preocupação do instituto está concentrada nos próximos meses, quando a colheita da safra 2026/27 e o escoamento da soja devem elevar a demanda por caminhões.


Com o aumento da procura pelo transporte, os transportadores poderão buscar o repasse de parte dos custos acumulados, pressionando as despesas logísticas dos produtores rurais.


Na segunda-feira (2), a Rússia informou que vai estender o bloqueio às exportações de diesel até janeiro de 2027, o que também mantém o mercado atento à oferta do combustível.


DIESEL REPRESENTA 4,59% DO CUSTEIO DA SOJA


A pressão do combustível também aparece nos custos das operações dentro das propriedades rurais.

Para a safra 2026/27, os gastos com diesel nas operações mecanizadas da soja em Mato Grosso — que incluem semeadura, aplicações e colheita — estão estimados em R$ 198,59 por hectare, alta de 23,8% em relação ao ciclo anterior.


O diesel passou a representar 4,59% do custeio da cultura, acima da média de 3,82% registrada nas últimas cinco safras. Segundo o Imea, esse é o maior percentual da série histórica considerada pelo instituto.

O combustível responde ainda por aproximadamente 27% do aumento no custeio da soja de uma safra para outra.


“A alta do combustível também se intensificou no curto prazo. Somente entre setembro e outubro, o avanço foi de aproximadamente 6%, ampliando a pressão sobre os custos tanto da atividade agrícola quanto do transporte”, afirma Ébila Ferreira.


FRETE AINDA NÃO REFLETE TODO O AUMENTO


Apesar da alta estimada de 4,5% nos custos operacionais, os valores médios do frete em Mato Grosso permaneceram equivalentes na comparação entre janeiro e outubro.


De acordo com o Imea, isso ocorre porque o preço do transporte também depende de fatores como a sazonalidade da movimentação de grãos e as condições de mercado. Por isso, o aumento do diesel não provoca um reajuste automático e imediato nas tarifas.


A expectativa é que o cenário mude com a intensificação da colheita e do escoamento da soja, quando os transportadores poderão buscar o repasse dos custos acumulados.


SUBVENÇÃO DO DIESEL É PONTO DE ATENÇÃO


Uma medida que tem ajudado a conter impactos maiores é a subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel, prorrogada recentemente.


O Imea alerta, porém, que a duração do benefício é um ponto crítico para o setor agropecuário. Caso o fim da subvenção coincida com o período de maior demanda logística, os custos de transporte poderão sofrer pressão adicional.

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