O mercado internacional de grãos inicia novembro pressionado pela movimentação dos fundos de investimento, pelas perspectivas de oferta global e pelas incertezas sobre a demanda externa. Segundo relatório divulgado nesta segunda-feira pela TF Agroeconômica, soja, milho e trigo acumulam perdas recentes, enquanto o câmbio e as condições climáticas ganham importância na formação dos preços.
TRIGO: ATENÇÃO AO MAR NEGRO
No mercado de trigo, o foco permanece na região do Mar Negro, após o anúncio da Rússia sobre a reabertura temporária do Mar de Azov à navegação até 15 de novembro.
A retomada ocorre lentamente devido às condições meteorológicas desfavoráveis. Na Europa, o contrato de trigo para dezembro fechou a 228 euros por tonelada, com alta diária de um euro.
No Brasil, a valorização do dólar e a necessidade de importações ajudam a sustentar os preços. Na Argentina, a produção é estimada entre 23 milhões e 23,5 milhões de toneladas.
SOJA: FUNDOS RETIRAM US$ 6,6 BILHÕES
Na soja, os fundos de investimento retiraram aproximadamente US$ 6,6 bilhões dos mercados de commodities, na maior saída de recursos desde junho.
A cautela financeira foi influenciada por sinais do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, e pelas quedas registradas em Wall Street. O movimento provocou liquidações em mercados como os de soja, milho e farelo.
A continuidade das compras chinesas e o desenvolvimento das lavouras no Brasil e na Argentina permanecem entre os principais fatores que podem influenciar as cotações.
MILHO TEM CINCO SEMANAS DE QUEDA
O milho completou cinco semanas consecutivas de desvalorização na Bolsa de Chicago. Na última semana, o contrato para dezembro perdeu US$ 3,25 por tonelada.
No mesmo período, a soja para janeiro recuou US$ 12,58 por tonelada, enquanto o trigo para dezembro caiu US$ 7,90.
Os fundos também ampliaram as posições vendidas em milho, que chegaram a aproximadamente 176 mil contratos.
DÓLAR E CLIMA INFLUENCIAM O MERCADO
No câmbio, o dólar na B3 foi indicado a R$ 5,4880, com valorização de 1,67%.
A demanda internacional, o avanço da colheita norte-americana e as condições climáticas na América do Sul devem continuar entre os principais fatores de influência sobre as cotações agrícolas ao longo de novembro.