Testes preliminares realizados pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE) confirmaram que o material encontrado é um hidrocarboneto. As análises apontam propriedades físico-químicas similares às do petróleo extraído na Bacia Potiguar, região geológica próxima à localidade da descoberta.
O líquido foi identificado a uma profundidade entre 40 e 44 metros. A área da descoberta fica a apenas 11 quilômetros de blocos de exploração já existentes, o que reforça o argumento geológico sobre a veracidade do achado.
O engenheiro químico Adriano Lima, do IFCE, conduziu testes laboratoriais em parceria com a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA). Segundo os especialistas, a substância possui densidade, viscosidade e odor característicos de petróleo terrestre, também conhecido como onshore.
Apesar das evidências, a ANP ainda não emitiu o laudo final que confirma oficialmente a existência de uma jazida. O procedimento instaurado pela agência prevê a realização de uma perícia técnica detalhada no local.
Próximos passos e vácuo de informação
A investigação da agência reguladora também incluirá a notificação de órgãos ambientais para acompanhar o caso. O processo administrativo foi oficializado no final de fevereiro de 2026, embora o achado tenha ocorrido originalmente em novembro de 2024 pelo agricultor Sidrônio Moreira.
Até o momento, não há uma data definida pela ANP para a conclusão da perícia de campo ou para a divulgação do laudo que ateste a viabilidade econômica da extração no local. Também não existe confirmação se a área rural será incluída em futuros leilões de blocos exploratórios de energia.
Para o setor do agronegócio, a confirmação de uma jazida comercial na região pode alterar a dinâmica econômica das propriedades rurais no Vale do Jaguaribe. A descoberta de hidrocarbonetos em camadas tão superficiais é considerada um evento raro e demanda estudos geológicos aprofundados.
Em nota, a ANP esclarece que, apesar da propriedade rural pertencer ao agricultor, o subsolo é de propriedade da União. Confira a nota: "A ANP foi comunicada pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) da “ocorrência de um possível indício de petróleo bruto em uma propriedade rural localizada no município de Tabuleiro do Norte/CE, durante atividade de perfuração de poço para captação de água”, e está abrindo processo administrativo para tratamento do caso. Adicionalmente, a ANP notificará o órgão de meio ambiente competente para as providências cabíveis. Destacamos que a área em questão não se sobrepõe a nenhum bloco exploratório ou campo de produção concedidos pela ANP.
No Brasil, o subsolo é propriedade da União, assim como os recursos minerais nele presentes. No caso do petróleo e gás natural, a exploração e produção (E&P) podem ser feitas por empresas através de licitação pública – as chamadas rodadas de licitações, realizadas pela ANP –, sob os regimes de concessão ou partilha da produção (para áreas localizadas no pré-sal ou consideradas estratégicas pelo Conselho Nacional de Política Energética – CNPE)".