Agro

Banana em Goiás: preço abaixo do custo desafia lucro de produtores

18 fev 2026 às 19:07
A produção de banana no sudoeste de Goiás está em plena expansão, impulsionada por investimentos em tecnologia e técnicas de manejo, mas o setor enfrenta o desafio dos altos custos de produção e preços de venda abaixo do ideal. O cenário foi destaque no programa AgroBand, apresentado por Valteno de Oliveira e Carolina Rabelo, que mostrou a realidade da fruticultura em polos tradicionalmente dominados pelo cultivo de soja, como Rio Verde.

Rio Verde, um dos maiores centros agrícolas do país, agora também se destaca na distribuição de bananas por meio de famílias como os Machado, que investem em infraestrutura para garantir a qualidade do fruto. O processo inclui o armazenamento em câmaras frias e o uso de gás etileno para promover o amadurecimento controlado, assegurando que o produto chegue fresco aos supermercados e ao consumidor final.

Tecnologia e manejo manual no campo

Na fazenda dos produtores Ivo e Claudirene, 180 mil pés de banana estão distribuídos em 92 hectares. A atividade exige um manejo minucioso, já que a banana é uma cultura essencialmente manual, onde os cuidados começam ainda no pé para evitar danos visuais e ataques de pragas.


Os cachos são ensacados com um plástico especial que possui repelente para insetos, protegendo o desenvolvimento da fruta e preservando seu aspecto visual. Na colheita, os trabalhadores utilizam colchões estofados para transportar as pencas intactas até as esteiras. Ao todo, 34 pessoas participam do processo, que inclui limpeza em solução específica e encaixotamento acelerado para evitar a deterioração do fruto.


A produtividade da região gira em torno de 46 toneladas por hectare, resultando em uma produção anual de aproximadamente 4.200 toneladas. No entanto, o sucesso na produção esbarra em dificuldades logísticas e de mercado conhecidas como problemas "fora da porteira".

Desafios na comercialização e custos

O principal gargalo para o produtor ocorre no momento da venda, especialmente em períodos como o mês de janeiro. Segundo os produtores entrevistados pelo AgroBand, o acúmulo de frutas após as festas de fim de ano, somado ao período de férias escolares — quando o consumo de banana cai drasticamente — derruba os preços no mercado.


Em muitas ocasiões, o valor pago ao produtor fica abaixo do custo de produção. Existe uma percepção equivocada do consumidor de que o produtor lucra alto quando o preço da banana nanica chega a R$ 4 ou R$ 5 nos supermercados. Na realidade, os custos com mão de obra especializada e insumos estão muito elevados, dificultando a expansão da atividade.


Para os agricultores da região, o momento é de tentar manter a atividade enquanto aguardam por uma mudança no cenário econômico que equilibre os custos de operação com a rentabilidade final.