Agro

Carne bovina sobe 26% neste ano e reduz diferença entre cortes de 1ª e 2ª

29 abr 2026 às 18:28

preço da carne bovina registra uma alta superior a 26% no acumulado de 2026, provocando uma mudança significativa nos hábitos de consumo dos brasileiros. O encarecimento atinge tanto cortes nobres quanto opções tradicionalmente mais acessíveis, forçando as famílias a buscarem alternativas para manter a proteína no prato.


A alta acumulada impacta diretamente o orçamento doméstico. Segundo o levantamento, a diferença de preço entre a "carne de segunda", como a paleta, e a "carne de primeira", como o patinho, caiu para aproximadamente R$ 10,00. Esse fenômeno ocorre porque o aumento da demanda por cortes mais baratos equilibrou os valores no varejo.

Diante dos novos preços, muitos consumidores optam pela substituição da carne bovina por proteínas mais em conta. O frango e o fígado de galinha aparecem como as principais escolhas nos supermercados para driblar a inflação do setor.

Fatores econômicos impulsionam a carestia

O atual cenário de preços é resultado de uma combinação de fatores econômicos e logísticos que afetam a cadeia produtiva. Houve um encarecimento expressivo nos custos de produção, especialmente nos itens que compõem a ração animal e no transporte das cargas.


Somado a isso, o setor enfrenta uma oferta reduzida de gado, com uma diminuição no número de animais disponíveis para o abate. Esse desequilíbrio entre oferta e procura no mercado interno é agravado pelo desempenho recorde do agronegócio brasileiro no exterior.


O Brasil assumiu o posto de maior produtor mundial de carne bovina, superando os Estados Unidos. Atualmente, o país acelera o ritmo para cumprir as cotas de exportação para a China, o que drena parte considerável da produção que poderia abastecer os açougues locais.

Exportações e consumo interno

Apesar do foco no mercado externo, cerca de 70% da produção brasileira de carne bovina ainda permanece no mercado doméstico. No entanto, o preço internacional da commodity acaba balizando os valores praticados para o consumidor brasileiro.


Eventos globais, como a Copa do Mundo, também exercem influência direta nos preços. O mercado internacional está aquecido, especialmente nos Estados Unidos, onde a carne brasileira é amplamente utilizada como base para a produção de hambúrgueres.


O consumo médio do brasileiro atualmente é de 38 kg de carne bovina por ano. O índice coloca o país atrás dos argentinos, que consomem quase 50 kg anuais por habitante, refletindo como a pressão inflacionária tem limitado o acesso da população à proteína vermelha em 2026.

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