Agro

Chuvas podem prejudicar colheita e secagem de café na região Sudeste

29 ago 2026 às 12:12

A previsão de retorno de chuvas para importantes regiões cafeeiras do Sudeste brasileiro exige atenção redobrada dos produtores. As precipitações coincidem com as etapas finais da colheita e com os processos de secagem dos grãos, podendo impactar a eficiência das operações no campo.


De acordo com a previsão do modelo americano Global Forecast System (GFS), válida de 26 de agosto a 11 de setembro de 2026, acumulados expressivos podem atingir áreas produtoras de Minas Gerais e de São Paulo. Em território mineiro, os maiores volumes são esperados para o Sul de Minas e a Serra da Mantiqueira, enquanto o Cerrado Mineiro e as Matas de Minas terão chuvas irregulares. No estado paulista, volumes entre 40 mm e 80 mm devem atingir a Alta Mogiana, a Região do Pinhal, a Mogiana e o centro-oeste do estado.


Essas chuvas ocorrem após um período de tempo seco e temperaturas elevadas que favoreciam a maturação e a secagem. Conforme dados do Monitoramento Semanal das Condições das Lavouras da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgados em 17 de agosto, a safra nacional de café de 2026 é estimada em 66,7 milhões de sacas de 60 kg, superando em mais de 18% o volume de 2025. Com a umidade, há riscos de interrupção temporária da colheita, dificuldades no trânsito de máquinas e problemas na secagem em terreiros. Períodos prolongados de umidade nos frutos podem favorecer fermentações indesejadas e comprometer a qualidade da bebida.


Influência no próximo ciclo produtivo


Além dos reflexos imediatos na safra atual, o retorno das precipitações pode estimular a abertura de botões florais que estavam em repouso durante o período seco. Esse fenômeno, conhecido como chuva de florada, pode antecipar o próximo ciclo produtivo.


Segundo análises agrometeorológicas, o efeito desse processo depende da continuidade da umidade nas semanas seguintes. Uma nova estiagem logo após a abertura das flores pode gerar desuniformidade e prejudicar o pegamento inicial dos frutos. Por isso, entidades oficiais recomendam o acompanhamento contínuo das previsões do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) para otimizar o planejamento das atividades agrícolas.

Veja Também