A redução da competitividade do café brasileiro no mercado internacional derrubou os embarques em janeiro de 2026. O país exportou 2,780 milhões de sacas de 60 kg, volume 30,8% inferior ao registrado no mesmo mês do ano passado, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). A receita cambial somou US$ 1,175 bilhão, queda de 11,7% na comparação anual.
O desempenho reflete a combinação de estoques restritos de café arábica durante a entressafra, produtores capitalizados após anos de preços elevados e a destinação dos cafés canéforas (conilon e robusta) principalmente para o abastecimento do mercado interno. Segundo o Cecafé, esse cenário reduziu a competitividade do produto brasileiro frente a outros países produtores.
De acordo com o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, o recuo nos embarques também está ligado ao movimento de queda dos preços internacionais iniciado em janeiro e intensificado em fevereiro, em meio à expectativa de recuperação da produção brasileira na safra 2026/27, sobretudo do arábica, além da valorização do real frente ao dólar.
"Vivemos um cenário de produtores capitalizados em função dos bons preços nos últimos anos, estoques de arábica limitados no período de entressafra e os cafés conilon e robusta sendo utilizados para suprir, majoritariamente, o mercado interno. Esse contexto é o que vem ocasionando a redução acentuada nos volumes negociados com o exterior e deve permanecer até a entrada da próxima safra." - Márcio Ferreira
Segundo Ferreira, a aproximação da colheita tende a alterar esse quadro. No caso dos canéforas, já há expectativa de retomada dos embarques a partir de maio, com o Brasil se alinhando gradualmente aos principais concorrentes globais.
"Possivelmente, deveremos observar o mesmo cenário para o café arábica a partir de julho, com a chegada da safra 2026/27. Até então, os volumes de exportação devem seguir apertados dada a falta de competitividade, principalmente dos arábicas, frente a outros países produtores concorrentes." Márcio Ferreira
Tipos de café exportados
Em janeiro, o café arábica manteve a liderança das exportações brasileiras, com o embarque de 2,347 milhões de sacas, o equivalente a 84,4% do total exportado no mês. O volume representa queda de 29,1% em relação a janeiro de 2025.
O café solúvel apareceu na sequência, com 249.148 sacas remetidas ao exterior, o que corresponde a 9% das exportações totais, apesar de recuo de 32 pontos percentuais na comparação anual.
Os cafés canéforas (conilon e robusta) somaram 181.559 sacas, retração de 45,6% ante janeiro do ano passado, com participação de 6,5% no total. O segmento de café torrado e torrado e moído respondeu por 2.317 sacas, queda de 53,8%, com representatividade de 0,1%.