No primeiro boletim “Em Dia Com Mercado” de 2026, o analista Ismael Menezes, da MD Commodities, fez um alerta direto aos produtores brasileiros: o mercado da soja, que viveu um momento de euforia no fim de 2025, agora enfrenta o choque de realidade dos fundamentos.
O “efeito percepção” versus a realidade
Segundo Menezes, a alta registrada em novembro de 2025 foi impulsionada pelo acordo comercial entre China e Estados Unidos, quando os chineses anunciaram a intenção de comprar 12 milhões de toneladas da safra 2025/26.
No entanto, o analista ressalta que esse volume não é suficiente para provocar um choque de demanda, ficando bem abaixo dos patamares observados em anos anteriores.
Diagnóstico do mercado americano
Os números atuais indicam que a sustentação dos preços na Bolsa de Chicago (CBOT) está cada vez mais pressionada pelo desempenho fraco das exportações dos Estados Unidos:
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Vendas abaixo do esperado: os EUA acumulam 13 milhões de toneladas a menos em vendas em comparação com o mesmo período do ciclo anterior;
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Embarques lentos: o total embarcado é de 16,4 milhões de toneladas, um déficit de 13,5 milhões de toneladas em relação à safra passada.
O que esperar do relatório do USDA (12 de janeiro)
O mercado acompanha com atenção o relatório mensal do USDA, que será divulgado neste domingo (12). De acordo com Ismael Menezes, alguns cenários são prováveis:
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Ajuste nas exportações: o USDA pode reduzir a estimativa oficial, hoje em 44,5 milhões de toneladas, para algo próximo de 42,2 milhões;
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Aumento dos estoques finais: caso as exportações reais fiquem entre 38 e 39 milhões de toneladas, como projeta a MD Commodities, os estoques finais dos EUA podem subir de 8 milhões para mais de 13,4 milhões de toneladas;
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Pressão sobre os preços: estoques elevados nos EUA, somados à safra sul-americana volumosa que começa a entrar no mercado, tendem a provocar forte pressão de baixa nas cotações em Chicago.
Dica ao produtor
Para quem ainda tem soja disponível para venda, a recomendação é clara: não ignorar as janelas de oportunidade.
“Aproveite as oportunidades para vender se você estiver pouco comercializado. A safra sul-americana é muito grande e o ajuste nos estoques americanos pode