As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro alcançaram 40,94 milhões de toneladas entre os meses de janeiro a outubro de 2025. O volume representa um crescimento expressivo de 8,4% em comparação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados pela Associação Nacional para a Difusão de Adubos (ANDA).
Este indicador é fundamental para o setor, pois as entregas ao consumidor final funcionam como um termômetro da intenção de plantio e do investimento em tecnologia nas lavouras. O aumento sinaliza uma preparação robusta dos produtores rurais para a safra 2025/2026. Apenas no mês de outubro, o mercado movimentou 5,08 milhões de toneladas de adubos. O número indica uma alta de 2,1% ante o mesmo mês de 2024, quando foram entregues 4,98 milhões de toneladas.
O mapa do consumo no Brasil
A demanda pelos insumos reflete a geografia da produção de grãos no país. O estado de Mato Grosso, maior produtor nacional de soja e milho, manteve a liderança isolada no consumo de fertilizantes. A região foi responsável por 22,1% do total nacional. Em números absolutos, as lavouras mato-grossenses absorveram 9,05 milhões de toneladas do insumo no período analisado. Na sequência do ranking, aparecem outros grandes polos do agronegócio:
- Paraná: 4,97 milhões de toneladas;
- São Paulo: 4,35 milhões de toneladas;
- Rio Grande do Sul: 4,21 milhões de toneladas.
Goiás (3,99 milhões), Minas Gerais (3,90 milhões) e Bahia (2,75 milhões) completam a lista dos maiores consumidores, evidenciando a força da agricultura no Centro-Oeste, Sudeste e na região do Matopiba.
Produção nacional e importações
O relatório da ANDA também traz um panorama sobre a origem desses produtos. A indústria nacional de fertilizantes intermediários — produtos químicos que servem de base para a formulação dos adubos finais — apresentou desempenho positivo no ano. Entre janeiro a outubro, a produção doméstica somou 6,20 milhões de toneladas. Esse montante representa um avanço de 5,7% em relação aos 5,87 milhões produzidos no mesmo intervalo de 2024. No entanto, ao analisar o recorte mensal, a indústria registrou um recuo. Em outubro de 2025, foram produzidas 631 mil toneladas, uma queda de 2,2% na comparação anual.
Apesar do esforço da indústria local, o Brasil continua dependente do mercado externo para suprir a demanda do campo. As importações de fertilizantes cresceram 7,1% no acumulado do ano, totalizando 35,88 milhões de toneladas desembarcadas nos portos brasileiros.
Logística portuária
A entrada desses insumos essenciais para a produtividade agrícola concentra-se principalmente na região Sul. O Porto de Paranaguá, no Paraná, consolidou-se como a principal porta de entrada de adubos no país. Segundo dados do Siacesp/MDIC compilados pela ANDA, o terminal paranaense recebeu 8,89 milhões de toneladas no período. Isso representa um crescimento de 5,8% frente a 2024.
Atualmente, Paranaguá responde por 24,8% de todo o fertilizante que chega ao Brasil. A eficiência logística neste porto é crucial para garantir que o nutriente chegue à fazenda no tempo certo, evitando gargalos no momento decisivo do plantio.
Vale destacar que, embora o acumulado do ano seja positivo para as importações, o mês de outubro registrou uma leve desaceleração. Foram importadas 4,38 milhões de toneladas no mês, uma redução de 1,1% sobre outubro do ano anterior.