Os conflitos geopolíticos no Oriente Médio, deflagrados a partir de fevereiro deste ano, geraram incertezas em diversos setores exportadores que dependem da região para a logística de passagem. No entanto, para o segmento avícola brasileiro, a situação não prejudicou os negócios. Pelo contrário: as exportações nacionais de carne de frango encerraram o primeiro semestre de 2026 com resultados inéditos.
De acordo com os dados oficiais da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o volume exportado estabeleceu um novo recorde. Entre janeiro e junho, o Brasil embarcou 2,936 milhões de toneladas do produto, o que representa um crescimento de 12,9% em comparação ao mesmo período de 2025, quando foram exportadas 2,600 milhões de toneladas.
A receita gerada no acumulado dos primeiros seis meses do ano somou US$ 5,700 bilhões, superando em 17% o valor de US$ 4,871 bilhões registrado no primeiro semestre do ano anterior. O desempenho do mês de junho foi determinante para este fechamento histórico, com 482,8 mil toneladas embarcadas — um aumento de 40,6% em relação a junho de 2025.
Desempenho e destinos estratégicos
A receita das exportações no mês de junho totalizou US$ 985,5 milhões, valor 54,7% superior ao verificado no mesmo mês do ano passado. Segundo Ricardo Santin, presidente da ABPA, os números reforçam a solidez e a competitividade do setor, mesmo diante de um cenário global complexo nas rotas marítimas associadas ao Estreito de Ormuz.
Entre os principais destinos comerciais do produto brasileiro em junho, a China liderou o ranking com 50,1 mil toneladas. Na sequência das importações, destacam-se mercados como Japão, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, União Europeia, África do Sul, México, Coreia do Sul, Filipinas e Singapura.
Liderança do Paraná na produção
O Paraná consolidou-se como o maior estado exportador de carne de frango do país. As empresas paranaenses responderam pelo embarque de 199,3 mil toneladas apenas em junho, registrando um crescimento de 48,2%. Santa Catarina ocupou a segunda posição nacional, com 103,3 mil toneladas (+35,2%), seguido pelo Rio Grande do Sul (56,7 mil toneladas), São Paulo (29,9 mil toneladas) e Goiás (29,4 mil toneladas).
A ABPA ressaltou que as elevadas variações percentuais registradas para destinos como a China e a União Europeia sofrem influência de uma base comparativa menor em junho de 2025. Naquele período, os embarques haviam sido impactados por restrições temporárias devido ao registro de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em uma granja comercial, situação que atualmente já está totalmente superada.