Agro

Falta de caminhões eleva preços de fretes rodoviários em Mato Grosso

25 abr 2026 às 11:51

setor logístico de Mato Grosso registrou um movimento atípico na última semana, com a elevação nos preços dos fretes rodoviários para o transporte de grãos na maioria das rotas estaduais. O fenômeno ocorre mesmo diante de uma oferta equilibrada de cargas, indicando que o fator determinante para a alta foi a redução na disponibilidade de caminhões nas estradas mato-grossenses.


Segundo o boletim semanal do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgado nesta quinta-feira (23), parte considerável da frota de veículos deixou o estado. Os transportadores buscaram oportunidades de fretes mais atrativos em outras regiões do país, o que diminuiu a oferta local e ampliou o poder de negociação das empresas que permaneceram na região.


Rotas para Rondonópolis e Uberlândia lideram altas


O levantamento detalha que as principais rotas monitoradas apresentaram variações significativas. O trecho entre Diamantino e Rondonópolis, um dos mais importantes para o escoamento estadual, registrou média de R$ 155,00 por tonelada, uma alta de 3,20%.


Já a rota que liga Querência a Uberlândia (MG) teve um aumento de 3,28%, atingindo o valor médio de R$ 333,70/t. Esses números reforçam a pressão nos custos em um momento estratégico para o escoamento da safra, impactando diretamente a planilha de custos do produtor rural.


Para Rodrigo Silva, coordenador de inteligência de mercado agropecuário do Imea, o cenário atual foge à normalidade esperada. “Para o período atual, seria esperado um movimento de desvalorização nos preços de frete, à medida que a demanda por transporte tende a se equilibrar com a finalização da colheita da soja da safra 2025/26”, analisa.

Preço do diesel e logística pressionam margens do agro

A manutenção das cotações em níveis elevados também é sustentada pelo preço dos combustíveis. Na comparação anual, o valor do diesel continua sendo um fator de pressão, mantendo os custos operacionais das transportadoras em patamares superiores aos observados no mesmo período do ano passado.

Mato Grosso possui uma dependência crítica da malha rodoviária para levar a produção aos centros consumidores e portos. Quando o valor do frete sobe, a rentabilidade do produtor é afetada de forma imediata, uma vez que o custo logístico é um dos principais componentes do custo total de produção "da porteira para fora".


“A eficiência no escoamento da produção é decisiva para manter a sustentabilidade econômica das propriedades rurais e garantir a competitividade do estado como um dos principais produtores de grãos do país”, ressalta Rodrigo Silva.

Os dados apresentados fazem parte do projeto de Custo de Produção Agropecuário (CPA), desenvolvido pelo Imea em parceria com o Senar Mato Grosso. A iniciativa visa monitorar os indicadores que influenciam a atividade rural, fornecendo subsídios técnicos para que o produtor possa tomar decisões mais assertivas em um cenário de custos voláteis.

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