A escassez de mão de obra qualificada e os danos provocados pela deriva de defensivos agrícolas consolidaram-se como os principais gargalos para a produção rural no Brasil. O impacto é severo no segmento de hortifrutis, altamente dependente do manejo manual. Segundo levantamento da revista Hortifruti Brasil, vinculada ao Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), 93% dos agricultores relatam retração na oferta de trabalhadores nos últimos cinco anos, o que levou cerca de 40% dos produtores a reduzirem a área plantada.
Além do encolhimento do cultivo de frutas, verduras e legumes, o desfalque operacional gera atrasos no manejo, elevação dos custos e perdas diretas de produtividade. Como resposta, o setor busca acelerar a mecanização das lavouras e a qualificação profissional, visando aumentar a retenção de trabalhadores no meio rural e mitigar gargalos nas etapas cruciais de plantio e colheita.
Paralelamente aos problemas trabalhistas, a vitivinicultura do Rio Grande do Sul acumula prejuízos milionários com a aplicação incorreta de produtos químicos em lavouras vizinhas. Dados do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura (Consevitis) apontam que a deriva de herbicidas gerou um impacto financeiro estimado em R$ 210 milhões entre 2018 e 2025, afetando ao menos 700 hectares de vinhedos no estado.
A indefinição sobre o controle do problema paralisou a expansão do setor gaúcho. Diante do risco de contaminação continuada das parreiras, todos os produtores entrevistados pelo Consevitis afirmaram ter adiado ou reduzido novos investimentos. As projeções indicam que as perdas podem somar R$ 150 milhões adicionais até 2030 caso não haja treinamento rigoroso de aplicação, monitoramento climático e cooperação entre culturas limítrofes.