Agro

Falta de trigo no mercado faz preços dispararem e acende alerta no setor industrial

28 abr 2026 às 09:37

O mercado do trigo no Brasil vive um momento de incerteza e preços bem diferentes para quem compra e para quem vende. Enquanto o trigo em grão segue com valores nas alturas devido à oferta restrita, o farelo — muito usado na alimentação de animais — está perdendo valor comercial. Essa disparidade acontece porque estamos no período de entressafra, ou seja, tem pouco grão disponível nos estoques, o que obriga os moinhos a pagarem mais caro pela matéria-prima para não pararem a produção.


Segundo os pesquisadores do Cepea, essa alta no grão já chegou com força no bolso de quem compra farinha de trigo. As indústrias estão repassando o custo elevado do trigo industrializado, impulsionadas também pelas preocupações com as tensões geopolíticas lá fora, que deixam o mercado em alerta. Por outro lado, quem vende o grão não tem pressa em negociar os volumes que sobraram, esperando preços ainda melhores, o que trava as negociações e mantém a firmeza nas cotações.


Já no setor do farelo, o cenário é de desvalorização intensa. Em regiões produtoras como o Oeste do Paraná e cidades do Rio Grande do Sul, os preços são os menores registrados desde agosto de 2024. Isso ocorre porque há muita oferta do produto no mercado e uma concorrência pesada com substitutos como o milho e a casquinha de soja. Com o farelo sobrando, os vendedores precisam baixar o preço para tentar atrair compradores, que estão preferindo esperar novas quedas antes de fechar negócio.


Essa divisão no setor mostra que, embora o produtor de ração animal encontre alívio nos custos agora, o consumidor final e as padarias devem se preparar para enfrentar farinhas mais caras. O equilíbrio entre o que sobra de farelo e o que falta de grão dita o ritmo do agronegócio neste fechamento de mês. A expectativa dos analistas é que o mercado continue pressionado até que a nova safra comece a entrar no sistema, normalizando o abastecimento nacional.

Veja Também