Agro

Governo e pecuaristas tentam reverter veto da Europa às carnes brasileiras

07 jul 2026 às 13:02

O governo brasileiro tem buscado reabrir o diálogo com a União Europeia (UE) para revisar as restrições impostas à carne brasileira. O tema volta ao centro das discussões setoriais em meio a um cenário global de mudanças regulatórias e pressões internacionais por práticas consideradas mais sustentáveis.


O analista de mercado de pecuária, Fernando Iglesias, avalia que, por trás das restrições vigentes, existe um tom de protecionismo técnico. Esse viés é evidenciado por normas como a lei antidesmatamento, que deve ganhar ainda mais destaque e ser discutida com maior ênfase a partir de 2027.


Iglesias destaca que, além do endurecimento das regras ambientais, há uma preocupação crescente em relação ao uso de antimicrobianos na produção pecuária. Essa pauta tem ganhado força não apenas na Europa, mas também em outros mercados de grande relevância comercial, como a China e demais países asiáticos, que vêm implementando normas regulatórias mais severas desde 2019.


O efeito "mercado vitrine" nas exportações


A União Europeia é considerada no segmento como um "mercado vitrine". Por conta disso, as decisões do bloco possuem potencial para influenciar outros grandes compradores globais a adotarem posturas regulatórias similares. De acordo com o analista, esse alinhamento internacional poderia representar um impacto negativo severo para o ritmo das exportações brasileiras no futuro.


Atualmente, o bloco europeu responde por cerca de 3% do volume total das exportações de carne do Brasil, uma participação comercial considerada pequena. No entanto, o real receio dos produtores e exportadores está justamente no risco de que outras regiões importadoras sigam o mesmo caminho e ampliem as suas barreiras técnicas e ambientais.


Impactos no mercado interno brasileiro


No cenário doméstico, uma eventual queda no ritmo dos embarques para o exterior poderia, em curtíssimo prazo, resultar em preços mais acessíveis para o consumidor brasileiro devido ao aumento da oferta interna.


Apesar de um alívio momentâneo no bolso da população, Fernando Iglesias faz um alerta para as consequências estruturais negativas no médio e longo prazo, com reflexos diretos sobre a sustentabilidade do setor produtivo. O desestímulo financeiro poderia desestruturar a cadeia e causar prejuízos consolidados à capacidade produtiva de proteína animal no país.

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