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IPCA desacelera para 0,16% com queda nos alimentos

10 jul 2026 às 12:49

A inflação oficial do Brasil perdeu força e fechou o mês de junho em 0,16%. O recuo do indicador foi impulsionado pela queda nos preços de alimentos básicos, como o café, as frutas e a carne bovina, que registraram a primeira retração conjunta desde o ano passado.


Os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foram divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado mensal representa a menor taxa registrada no país desde outubro de 2025.


Com o desempenho de junho, a inflação acumulada no primeiro semestre de 2026 ficou em 3,36%. No indicador que soma os últimos 12 meses, o IPCA atingiu 4,64% — valor ligeiramente acima do teto da meta estipulada pelo governo federal, que é de até 4,5%. Apesar disso, o índice mostra desaceleração se comparado ao acumulado até maio, quando estava em 4,72%. Em junho do ano anterior, a taxa havia fechado em 0,24%.


Alimentos puxam o índice para baixo


Dos nove grupos de produtos e serviços que compõem a pesquisa do IBGE, o setor de alimentação e bebidas foi o principal responsável por conter o avanço inflacionário, registrando recuo de 0,24% (impacto de -0,05 ponto percentual no índice geral). Trata-se da primeira deflação do segmento desde novembro do ano passado.


No recorte da alimentação no domicílio, a redução média foi de 0,39%, com destaque para os seguintes itens:


  • Açaí (em emulsão): -14,41%

  • Café moído: -3,72%

  • Óleo de soja: -2,78%

  • Tomate: -2,02%

  • Frutas: -1,58%

  • Carnes: -0,64%


De acordo com o analista da pesquisa do IBGE, Fernando Gonçalves, o movimento reflete uma devolução de altas recentes de preços e o aumento da oferta no campo, como verificado na safra do tomate. Em contrapartida, a alimentação fora do domicílio seguiu em alta, com avanço de 0,15%.


Custos com habitação e energia elétrica sobem


A principal pressão de alta no mês veio do grupo habitação, que avançou 0,63% e gerou impacto positivo de 0,10 ponto percentual no IPCA. O vilão individual do mês foi a tarifa de energia elétrica residencial, que subiu 1,53%.


O encarecimento da conta de luz é explicado pelo IBGE devido à vigência da bandeira tarifária amarela, que adiciona uma taxa extra de R$ 1,885 a cada 100 quilowatt-hora (kWh) consumidos em razão do maior custo de geração no país. O cenário foi agravado por reajustes tarifários homologados nas regiões metropolitanas de Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.


Passagens aéreas e combustíveis


No setor de transportes, que registrou alta média de 0,17%, as passagens aéreas saltaram 7,12%. O impacto só não foi maior porque o preço médio dos combustíveis recuou 0,48% no mesmo período. A maior queda foi do etanol (-3,09%), seguido pelo óleo diesel (-1,19%), gás veicular (-0,19%) e gasolina (-0,12%).


O índice de difusão, que aponta o percentual de produtos e serviços com aumento de preços, encerrou o mês em 54%. Embora sinalize que mais da metade dos 377 itens pesquisados pelo IBGE ficou mais cara, o indicador atingiu o seu menor patamar desde outubro de 2025, quando estava em 52%.

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