A Justiça do Trabalho de Brasília (DF) determinou a suspensão temporária, pelo prazo de 90 dias, do registro de novos defensivos agrícolas formulados com glifosato. A decisão liminar atende a uma ação movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e busca reforçar as medidas de segurança ocupacional para trabalhadores rurais que manuseiam o ingrediente ativo, que é o defensivo mais comercializado no país.
Com a determinação, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deverá revisar imediatamente as bulas e manuais de instrução de produtos que contenham a substância, detalhando normas de proteção durante o manuseio e a aplicação nas lavouras. O glifosato é amplamente empregado na dessecação e no manejo do solo para culturas de commodities, como a soja e o milho.
"O Ibama deverá elaborar relatórios técnicos sobre os impactos ecossistêmicos do composto e avaliar os efeitos produtivos de uma eventual retirada definitiva do produto do mercado."
Paralelamente às discussões fitossanitárias, o setor produtivo acompanha alertas ambientais na Região Norte. Dados do Projeto Acre Queimadas, da Universidade Federal do Acre (Ufac), indicam que mais de 17,8 mil hectares foram atingidos por focos de incêndio no estado em agosto, com quase metade das ocorrências concentrada em pequenas propriedades de até 5 hectares. Os municípios de Feijó, Cruzeiro do Sul e Tarauacá lideram as estatísticas de queimadas no período.