Chifres impressionantes, rusticidade e uma história que atravessa séculos. O Longhorn, que se tornou um dos símbolos do Texas, nos Estados Unidos, começa a ganhar espaço também entre pecuaristas brasileiros.
A raça é o destaque de uma nova série do Campo Vivo, que mostra as características, o manejo e o potencial desses animais. No primeiro episódio, a história começa pela origem do Longhorn e pelos atributos que despertam o interesse de criadores no Brasil.
Raça chegou ao Texas no século XVI
É difícil chegar perto de um Longhorn e não reparar primeiro nos chifres. Mas a história desses animais começou muito antes de eles se tornarem um dos grandes símbolos do Texas.
A raça veio da Espanha para o México no século XVI e, posteriormente, chegou ao Texas. Na região, os animais passaram a viver soltos e sem cuidados humanos, justamente por apresentarem grande rusticidade.
A capacidade de sobreviver em condições adversas, inclusive em pastagens de baixa qualidade, contribuiu para a formação das características da raça. Com o passar dos anos, a seleção natural deu espaço também ao melhoramento genético.
Os criadores passaram a buscar animais cada vez mais completos, sem abrir mão da identidade que tornou o Longhorn conhecido mundialmente.
Chifres são valorizados pelos criadores
Os chifres ganharam um valor que vai muito além da estética. Nos Estados Unidos, criadores passaram a desenvolver trabalhos específicos de melhoramento genético e até competições relacionadas ao tamanho da armação.
Por isso, animais com chifres mais desenvolvidos podem alcançar valores elevados em leilões no Texas.
Rusticidade chama atenção no campo
Quando o assunto passa da aparência para o desempenho, outras características começam a chamar a atenção dos pecuaristas.
Uma delas é a produção de leite. Mesmo em condições de pastagem mais difíceis, as vacas apresentam capacidade de produzir leite suficiente para criar bezerros com bom desenvolvimento.
A experiência de criadores que trabalham com a raça no Brasil também revelou um possível potencial para cruzamentos e produção de carne diferenciada.
Longhorn apresenta potencial para carne
Outro atributo que desperta interesse é o marmoreio da carne, característica relacionada à presença de gordura entremeada no tecido muscular.
Segundo um criador entrevistado, avaliações já identificaram alto índice de marmoreio em vacas Longhorn, chegando a nove pontos. O resultado é considerado semelhante ao observado em animais da raça Wagyu.
A expectativa é que a característica possa ser aproveitada em programas de cruzamento, buscando uma carne diferenciada para o mercado brasileiro.
Raça também enfrenta condições difíceis
A conformação dos animais é outro fator que favorece o desempenho no campo. O umbigo mais encaixado e a resistência dos touros permitem que a raça seja criada em áreas com vegetação mais agressiva, inclusive pastos com espinhos.
Essa capacidade de adaptação é apontada como uma das características que tornam o Longhorn interessante para diferentes sistemas de produção.
Carrapato exige atenção no Brasil
Apesar da adaptação considerada fácil ao país, os criadores precisam ter atenção especial com questões sanitárias, principalmente com o carrapato.
Como o parasita encontrado no Brasil não é comum nas regiões de origem da raça, o monitoramento dos animais é considerado fundamental.
A tecnologia também passou a fazer parte da rotina de algumas propriedades. Um dos recursos utilizados é um dispositivo colocado no rúmen dos animais, capaz de monitorar a temperatura corporal e enviar informações para o celular do criador.
Dessa forma, alterações que possam indicar febre são identificadas rapidamente, permitindo uma intervenção mais ágil.
Número de criadores ainda é pequeno
A presença do Longhorn no Brasil ainda é recente e o número de criadores permanece pequeno. Os primeiros trabalhos de introdução da raça no país foram realizados a partir da importação de embriões.
Um dos pioneiros foi o criador Paulo Dedemo, de Marília, no interior de São Paulo. Posteriormente, a raça também chegou a estados como Goiás.
Apesar de ainda estar em expansão, o número de animais e criadores vem crescendo, impulsionado pelo interesse nas características da raça e pelas possibilidades de utilização na pecuária brasileira.
A história do Longhorn no Brasil está apenas começando. No próximo episódio da série Campo Vivo, o destaque será o manejo dos animais, incluindo alimentação e os cuidados necessários no dia a dia.