O MPF (Ministério Público Federal) definiu novas diretrizes para expandir o controle sobre a origem do gado bovino criado na Amazônia Legal. A partir de 2027, a fiscalização passará a exigir o monitoramento integral de toda a cadeia pecuária, com o objetivo de impedir a comercialização de animais criados em áreas atingidas pelo desmatamento ilegal.
A principal mudança em relação às regras anteriores é a inclusão obrigatória dos fornecedores indiretos — produtores responsáveis pelas etapas de cria, reprodução e recria de bezerros, que posteriormente são comercializados para fazendas de engorda antes do abate. Segundo o MPF, a ausência desse controle permitia que animais originados em propriedades irregulares ingressassem no circuito formal por meio de estabelecimentos regulares nas fases finais do ciclo produtivo.
A implementação do novo sistema demandará a integração de cadastros ambientais e guias de transporte animal entre os estados, permitindo rastrear o percurso dos lotes até a indústria frigorífica. Para viabilizar a adaptação técnica dos pecuaristas e da indústria, o início da fase de fiscalização teve seu prazo prorrogado em seis meses. Entidades do setor produtivo manifestam preocupação com a possibilidade de responsabilização de produtores por infrações ambientais cometidas em elos anteriores da cadeia.
Paralelamente às mudanças regulatórias, levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) aponta que a participação do agronegócio no total de ocupados do país atingiu 20,5% no primeiro trimestre, somando 27,79 milhões de trabalhadores. A retração de 1% em relação ao mesmo período do ano anterior foi impulsionada pelo recuo nos segmentos de agroindústria e serviços, embora o setor primário ("dentro da porteira") tenha registrado alta de 2,5% na oferta de postos de trabalho.