O poder de compra do avicultor no estado de São Paulo apresenta recuperação em abril, encerrando um ciclo de quatro meses consecutivos de retração. O movimento favorável ao produtor é resultado direto da interrupção na queda dos preços do frango vivo somada à desvalorização dos principais insumos da atividade: o milho e o farelo de soja.
De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a média parcial de abril para o quilo do frango vivo em São Paulo é de R$ 4,44.
Embora o valor represente uma ligeira baixa de 0,6% em comparação ao mês de março, o índice sinaliza uma estabilização importante, visto que as fortes quedas registradas no início do ano perderam intensidade.
Relação de troca e custos de produção
O alívio financeiro para o setor vem, principalmente, do mercado de grãos. A queda acentuada nos custos do milho e da soja permitiu que a relação de troca se tornasse mais vantajosa para quem produz. O cenário reflete o arrefecimento dos preços das commodities, o que impacta positivamente a margem de lucro no campo e ajuda a controlar os custos de produção de proteína animal.
Considerando os preços médios do animal em São Paulo e do milho na região de Campinas, os cálculos do Cepea mostram que o avicultor agora consegue adquirir 3,91 quilos de milho com a venda de um quilo de frango vivo. O volume é 3,5% superior ao registrado em março.
A melhora também é observada na relação com o farelo de soja. Atualmente, a venda de um quilo de frango permite a compra de 2,54 quilos do insumo, um aumento de 2,7% na comparação mensal. Segundo agentes consultados pelo Cepea, houve espaço para ajustes positivos nos preços do frango na primeira metade do mês, mas o ritmo desacelerou com a proximidade de maio.
A recuperação da rentabilidade do avicultor é um indicador relevante para o monitoramento da inflação de alimentos, uma vez que a redução dos custos de produção pode influenciar os preços finais ao consumidor nos supermercados.