A Petrobras retomou nesta quinta-feira (30) a produção de ureia, fertilizante usado nas lavouras, na unidade da Araucária Nitrogenados S.A (Ansa), localizada no Paraná, após um período de quatro anos de inatividades. O movimento marca o retorno estratégico da estatal ao segmento de fertilizantes, setor considerado vital para a sustentabilidade e produtividade do agronegócio.
Hoje, os produtores rurais precisam importar fertilizantes, principalmente dos países que estão em conflito como o Irã, Israel, Ucrânia e Rússia. No último mês, os preços da ureia subiram 63% com a escalada dos conflitos no Oriente Médio.
A reativação da subsidiária paranaense demandou um investimento de R$ 870 milhões. Desde o anúncio da retomada há dois anos, a fábrica passou por um ciclo rigoroso de preparação, que incluiu manutenções, inspeções técnicas e a recomposição das equipes de trabalho. A unidade estava hibernada desde 2020 e volta a operar em um cenário de busca por menor dependência de insumos externos.
A ureia é um fertilizante nitrogenado sólido, essencial para fornecer nitrogênio às plantas, o que estimula o crescimento e aumenta o rendimento das safras. Com a unidade em operação regular, a Petrobras estima a manutenção de cerca de 700 postos de trabalho diretos na planta de Araucária.
Autossuficiência e mercado interno
A volta da Ansa integra um plano maior da petroleira, que já havia retomado as unidades Fafen-SE, em Sergipe, e Fafen-BA, na Bahia, entre o final de 2025 e o início de 2026. Somadas, as três fábricas devem permitir que a estatal alcance aproximadamente 20% de participação no mercado interno de ureia.
Segundo o diretor de Processos Industriais da Petrobras, William França, o setor de fertilizantes é estratégico para o fortalecimento da cadeia produtiva nacional. França ressaltou que a retomada dos investimentos é baseada em estudos de viabilidade técnica e econômica para reduzir a dependência das importações.
Expansão em Três Lagoas e metas para 2029
Além das unidades já operacionais, a companhia avança para concluir a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III) em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul. A previsão é que esta planta entre em operação comercial em 2029. Com a UFN-III, a Petrobras projeta atender cerca de 35% da demanda nacional de ureia nos próximos anos.
Localizada estrategicamente ao lado da Refinaria Getúlio Vargas (Repar), a Ansa possui capacidade anual para produzir 720 mil toneladas de ureia. Este volume equivale a 8% do mercado nacional. A fábrica também produz anualmente 475 mil toneladas de amônia — matéria-prima da ureia — e 450 mil m³ de ARLA 32, insumo líquido utilizado para reduzir a emissão de poluentes em motores a diesel.