Agro

Preço da mandioca sobe pela terceira semana com baixa oferta e clima seco

23 fev 2026 às 18:37

Pela terceira semana consecutiva, o setor de mandiocultura registra alta nos preços da raiz de mandioca em diversas regiões do Brasil, conforme apontam pesquisas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) divulgadas nesta segunda-feira (23). O movimento de valorização é impulsionado por uma combinação de maior demanda industrial para esmagamento e uma oferta restrita no campo.


A baixa disponibilidade do produto é motivada, principalmente, pelas condições climáticas adversas, com clima seco e altas temperaturas que dificultam o desenvolvimento e a colheita. Além disso, produtores rurais têm optado por estocar a safra de melhor qualidade, aguardando patamares de preços mais atrativos para efetivar a venda.


Fatores que pressionam os custos

De acordo com especialistas do Cepea, a rentabilidade dos agricultores seguirá como o fator determinante para o ritmo de comercialização nos próximos meses. O cenário é especialmente sensível para as lavouras cultivadas em 2024, que enfrentaram custos de produção elevados.

Entre os principais componentes que encareceram o ciclo produtivo estão:
  • Arrendamento de terras: Aumento nos valores para utilização de áreas de terceiros.
  • Mão de obra: Encarecimento dos custos para as atividades de colheita da raiz.

Diante deste panorama de custos altos, o produtor busca recuperar margens através da valorização do produto final. A expectativa do setor é que o avanço da oferta de mandioca no mercado ocorra de forma apenas gradual nas próximas semanas.


Entenda o mercado de mandioca

No agronegócio, o processo de "esmagamento" mencionado pela indústria refere-se à transformação da raiz em produtos derivados, como a fécula e a farinha. Quando há um aumento nesse processamento em períodos de safra curta, a disputa pela matéria-prima eleva as cotações.

O monitoramento do Cepea reforça que o comportamento do clima e a estratégia de retenção de safra por parte dos produtores continuarão a ditar o equilíbrio de forças entre a indústria e o campo no primeiro trimestre de 2026.

O ciclo da mandioca pode variar conforme a finalidade (indústria ou mesa), mas a oferta restrita atual impacta diretamente o custo de produção de itens básicos da dieta brasileira, como a farinha de mandioca e o polvilho.