A produção de grãos no Brasil, na safra 2025/26 pode ultrapassar 360 milhões de toneladas, projetou a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Se confirmado, o volume supera em 7,8 milhões de toneladas - uma alta de 2,2% - a produção obtida na safra anterior e será a maior produção já registrada no Brasil. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (14) pela Conab.
De acordo com o relatório oficial, o crescimento do volume total reflete diretamente a expansão da área destinada ao cultivo no país. A projeção para a área plantada é de 83,5 milhões de hectares. Por outro lado, a produtividade média nacional das lavouras deve apresentar estabilidade, com previsão de alcançar 4.311 quilos por hectare nesta temporada.
Desempenho do milho e do algodão nas lavouras
A colheita total de milho, somando-se as três safras do cereal no atual ciclo, está estimada em 141,7 milhões de toneladas. O resultado é 0,4% superior ao registrado no ciclo passado. De acordo com a Conab, a primeira safra do grão está quase toda colhida, somando 29,6 milhões de toneladas.
Na segunda safra do cereal, a colheita atinge 38,9% da área, índice que se encontra inferior à média dos últimos cinco anos. Em Mato Grosso, principal estado produtor, as condições climáticas foram favoráveis e garantiram o bom desenvolvimento do grão. Já nos estados de Goiás, Minas Gerais e Piauí, a ocorrência de veranicos (períodos de estiagem acompanhados de calor intenso no período chuvoso) em abril e maio afetou o desempenho das plantas.
Nesse cenário, a expectativa da companhia é que a segunda safra do milho atinja 109,43 milhões de toneladas. Para a terceira safra, a projeção é de 2,7 milhões de toneladas, com o monitoramento de baixas precipitações que trazem reflexos para a evolução das lavouras em Sergipe e Alagoas.
No caso do algodão, a produção prevista é de 4,06 milhões de toneladas de pluma. Atualmente, as lavouras registram 8,1% da área já colhida, 78,4% em fase de maturação e 13,5% em formação de maçãs. O clima favorável impulsionou um ganho de 2,8% na produtividade, compensando a redução de 3,2% na área destinada ao produto, que ficou próxima a 2 milhões de hectares.
Encerramento da colheita de soja e arroz
Com os trabalhos de campo finalizados, a soja alcançou uma produção histórica de 180,6 milhões de toneladas. O volume representa um avanço de 5,3% em relação ao ciclo anterior. Segundo a Conab, o avanço foi impulsionado pelo aumento de 2,7% na área cultivada, pelo uso de pacotes tecnológicos eficientes e pelo clima benéfico na maior parte das regiões produtoras.
O arroz também teve a colheita encerrada e somou 11,1 milhões de toneladas. O número representa uma queda de 13,1% na comparação com o volume produzido na safra passada, motivada pela menor área plantada.
Para o feijão, a estimativa total é de 3 milhões de toneladas, volume 1,4% menor que o ciclo anterior. Apesar da retração registrada no arroz e no feijão, alimentos essenciais para o consumo dos brasileiros, a Conab garante que o volume total a ser colhido é suficiente para o pleno abastecimento do mercado doméstico.
Culturas de inverno e projeções de estoque
O trigo, principal destaque entre as culturas de inverno, está na fase final de plantio no país. A estimativa da companhia é de uma redução severa de 23,5% no volume a ser colhido, projetado em 6 milhões de toneladas. O desempenho negativo é reflexo tanto da diminuição da área de cultivo quanto da expectativa de menor produtividade média nas lavouras brasileiras.
Por fim, o relatório da Conab reajustou as estimativas de mercado. O estoque de passagem de milho para o ciclo 2025/2026 foi projetado em cerca de 14,5 milhões de toneladas para o dia 31 de janeiro de 2027.
Para o algodão, a expectativa de exportação da fibra foi ajustada e pode atingir 3,38 milhões de toneladas, gerando um estoque final de 2,67 milhões de toneladas. Na soja, o estoque final estimado passou para 8,8 milhões de toneladas, diante do aumento no esmagamento interno e do volume de exportações, projetados em 62,57 milhões de toneladas e 116,3 milhões de toneladas, respectivamente.