A produção de uva em Goiás registrou um crescimento expressivo nos últimos anos, saltando de 1.516 toneladas para 3.264 toneladas, de acordo com dados do Panorama da Viticultura no Brasil, elaborado pela Embrapa. O avanço consolida a vitivinicultura — atividade que abrange desde o manejo das videiras até a elaboração do vinho — em pleno bioma do Cerrado. O desempenho da fruta projeta a Rota dos Pirineus como um dos novos destinos enoturísticos do país.
Antes restrito às regiões Sul e Sudeste devido às exigências de clima temperado, o cultivo de uvas finas expandiu-se para zonas tropicais graças ao emprego da técnica de poda dupla. O método altera o ciclo natural da planta por meio de duas podas anuais, forçando a maturação dos frutos durante o inverno, período marcado por dias ensolarados e noites frias no Centro-Oeste. Atualmente, o estado responde por 7% do vinho de inverno do Brasil, segundo a Anprovin (Associação Nacional de Produtores de Vinho de Inverno).
Enoturismo e rota gastronômica
O cultivo da fruta em território goiano concentra-se em municípios como Paraúna, Hidrolândia e no entorno do Distrito Federal. No entanto, é a Rota dos Pirineus que desponta no mercado de vinhos finos. O corredor enoturístico é formado pelas cidades de Pirenópolis, Cocalzinho e Corumbá, reunindo nove vinícolas em atividade.
O turismo na região serrana ganhou tração com a associação entre os vinhos locais e a produção artesanal de queijo. Juntas, as cadeias estruturaram uma rota gastronômica com visitas guiadas e degustações programadas.
Baixa temporada: O fluxo de viajantes atinge a marca de 80 mil visitantes mensais.
Alta temporada: O movimento salta para 120 mil pessoas por mês nos períodos de alta sazonalidade.
Mercado imobiliário acompanha expansão
A valorização do estilo de vida ligado à natureza e ao isolamento planejado reflete-se no mercado imobiliário regional. A busca por segunda moradia e propriedades destinadas à locação de curta temporada acelerou o lançamento de condomínios horizontais integrados à paisagem local.
Um dos reflexos desse cenário ocorre no loteamento Salto Imperial, implantado ao lado da cachoeira do Salto Corumbá, que teve 93% dos terrenos comercializados em sua primeira fase. De acordo com o coordenador de vendas Rodrigo Ribeiro, os lotes acidentados são os mais procurados por compradores que desejam erguer imóveis integrados à topografia para valorizar a vista das serras.
O aquecimento econômico atrai investidores e profissionais de grandes centros urbanos que adotaram o regime de teletrabalho de forma definitiva para fixar residência na região, com destaque para trabalhadores do setor de Tecnologia da Informação (TI).