Rankings empresariais costumam registrar um momento. Uma
posição, um indicador, o resultado de um exercício. Quando diferentes recortes
começam a apontar na mesma direção, porém, a fotografia ganha outra leitura. É
o que ocorre na edição 2026 do Valor 1000, anuário do Valor Econômico
que chega à 26ª edição reunindo as mil maiores empresas brasileiras,
classificadas por receita líquida. A publicação utiliza critérios desenvolvidos
com participação do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getulio Vargas e
da Serasa Experian.
Nesse universo, os números da Lar Cooperativa Agroindustrial
mostram uma organização que vem mudando de escala dentro do ambiente
empresarial brasileiro.
A Lar chegou à 61ª posição entre as mil maiores empresas do
país, cinco colocações acima do resultado registrado no ano anterior. Em 2025,
alcançou receita líquida consolidada de R$ 24,8 bilhões, crescimento de 14,2%.
O Ebitda avançou 21,7%, para R$ 2,54 bilhões, enquanto o lucro líquido ficou em
R$ 954,8 milhões.
A posição nacional é uma das formas de dimensionar esse
movimento. Quando o recorte se aproxima da origem da Cooperativa, o lugar
ocupado pela Lar se torna ainda mais evidente. Entre as empresas da Região Sul,
aparece na quinta colocação. No Paraná, ocupa a terceira posição em receita
líquida. Consideradas somente as cooperativas paranaenses presentes no
levantamento, é a segunda maior.
O próprio Valor, ao analisar a economia do Sul, inclui a Lar
entre as empresas que ajudam a explicar a posição alcançada pelo Paraná. O Estado
responde por 44,7% da receita líquida das companhias da região presentes no
ranking, e a publicação destaca a Lar entre as organizações ligadas ao
agronegócio que ocupam posições relevantes no ambiente empresarial paranaense.
Mas tamanho, sozinho, não explica o resultado.
No Agronegócio, a Lar ocupa a sétima posição por receita
líquida e sobe para a quarta colocação na classificação final do setor. Para
chegar a esse resultado, o Valor analisa seis critérios econômico-financeiros:
receita líquida consolidada, margem Ebitda, rentabilidade, evolução da receita
nos últimos cinco anos, alavancagem financeira e cobertura de juros. A
avaliação ESG integra uma segunda etapa restrita às três empresas mais bem
colocadas na análise financeira.
Outros indicadores ajudam a compreender a posição alcançada.
A Lar aparece em nono lugar entre as empresas do Agronegócio em margem Ebitda,
com 10,3%, e integra o grupo das dez companhias do setor com maior evolução
média da receita líquida nos últimos cinco anos. Segundo a metodologia do
Valor, esse crescimento foi de 18,7% ao ano.
A comparação dos próprios dados consolidados da Cooperativa
oferece outra medida dessa mudança. Em 2020, a receita líquida consolidada da
Lar era de R$ 11,3 bilhões. Em 2025, chegou a R$ 24,8 bilhões. Em cinco anos,
portanto, o volume mais que dobrou, com expansão próxima de 120%.
A dimensão alcançada aparece também na estrutura que sustenta
os negócios. A Lar reúne atualmente cerca de 17 mil famílias associadas e 27
mil funcionários, mantém 89 unidades de recebimento de grãos no Paraná, Mato
Grosso do Sul e Santa Catarina, industrializa as três proteínas animais,
frango, suínos e peixes, e exporta para mais de 100 países.
São diferentes medidas de um mesmo processo. O aumento da
receita ocorreu simultaneamente à ampliação da capacidade produtiva, da
presença territorial, dos mercados atendidos e da complexidade dos negócios.
Uma organização dessa dimensão passa a ser exigida em outros parâmetros:
eficiência operacional, capacidade de investimento, solidez financeira,
governança e qualidade das decisões que sustentam o crescimento.
É sob essa perspectiva que o Valor 1000 oferece uma leitura
que vai além das colocações. Ao avançar cinco posições no ranking nacional e
ocupar lugares relevantes nas comparações com as maiores empresas do Sul, do
Paraná e do agronegócio brasileiro, a Lar passa a ter sua trajetória medida
diante de referências empresariais de outra escala.
O ranking registra, portanto, um estágio alcançado pela
Cooperativa, não um ponto de chegada. Depois de um ciclo que ampliou receita,
estrutura, presença e mercados, o desafio passa a ser sustentar essa dimensão
com resultados, eficiência e capacidade de adaptação. O crescimento levou a Lar
a outro patamar de comparação. Permanecer nele, e continuar avançando, exigirá
decisões compatíveis com a escala que construiu.