As mudanças provocadas pela reforma tributária no consumo começam a exigir atenção direta do setor agropecuário. A nova legislação, centrada na reestruturação dos tributos que compõem o sistema de precificação de mercadorias, vai alterar a dinâmica de custos e a gestão fiscal das propriedades rurais brasileiras a partir de 2027.
Em entrevista ao programa Campo Vivo, o contador e especialista em tributação no agronegócio Werinton Garcia Moreno destacou que os últimos meses de 2026 são cruciais para o planejamento do setor. Segundo o especialista, o novo modelo altera a cobrança de tributos como o IBS e a CBS, exigindo dos produtores um controle financeiro e operacional semelhante ao de uma estrutura empresarial.
A legislação divide os produtores em duas categorias com base no faturamento. Aqueles com receita anual acima de R$ 3,6 milhões serão obrigatoriamente contribuintes dos novos impostos. Já os produtores com faturamento inferior a esse limite terão a opção de decidir se desejam ou não aderir ao sistema de contribuição.
A decisão de adesão para os pequenos e médios produtores envolve diretamente o custo dos insumos. Werinton explicou que o produtor formalizado como contribuinte poderá recuperar créditos tributários gerados na compra de máquinas e suprimentos. Em contrapartida, aquele que optar por ficar de fora do sistema não terá direito ao ressarcimento, absorvendo o valor integral do imposto no preço final do produto e aumentando seu custo de produção.