A movimentação no mercado de açúcar cristal segue em ritmo lento no estado de São Paulo nesta semana, operando com o que os especialistas chamam de baixa liquidez. De acordo com pesquisadores do Cepea, o feriado de Tiradentes ajudou a esfriar ainda mais as negociações no mercado spot, com compradores e vendedores adotando uma postura muito mais cautelosa. O fato principal é que quem precisa comprar o produto está preferindo esperar, de olho no avanço da safra 2026/27, que promete trazer preços mais baixos em breve.
Pelo lado das usinas, a moagem de cana ganhou velocidade, o que significa que há uma ampliação gradual da oferta no curtíssimo prazo. Como as máquinas estão a todo vapor e a disponibilidade do doce só aumenta, a pressão para que o valor da saca caia é real. Esse cenário de maior oferta faz com que as empresas compradoras fiquem "na espreita", adiando grandes aquisições na esperança de conseguir condições melhores conforme as pilhas de estoque cresçam nas indústrias paulistas.
Curiosamente, o cenário lá fora segue um caminho diferente do que vemos aqui dentro. Na Bolsa de Nova York, os preços do açúcar demerara registraram uma leve alta, impulsionados principalmente pelo apetite da China, que aumentou suas importações. No entanto, essa valorização internacional ainda não foi suficiente para animar o mercado interno de São Paulo, que continua focado na dinâmica local de safra e na demanda que ainda não deu sinais de reação.
Para o consumidor final e para as indústrias de alimentos, o momento é de observação. A tendência é que, com o clima favorecendo a colheita e o processamento nas usinas, o preço do cristal continue sob pressão nas próximas semanas. Até lá, o braço de ferro entre quem produz e quem consome deve manter o ritmo das vendas em marcha lenta, consolidando um período de preços mais estáveis ou com viés de queda no coração da produção sucroenergética do país.