Um estudo realizado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), mostrou que em cada mil hectares cultivados com lavouras de soja, 11 novas vagas de emprego formais são criadas nas cidades do Brasil.
A pesquisa, coordenada por Nicole Rennó Castro, foi apresentada no 65º Congresso da European Regional Science Association (ERSA), realizado em Sofia, na Bulgária.
O estudo detalha que esse resultado médio encobre diferenças importantes entre as cidades brasileiras. Nos municípios com até 10.417 habitantes e naqueles entre 10.418 e 21.512 habitantes, o crescimento do emprego, do PIB não agropecuário e da população está mais ligado à expansão da soja dentro do próprio território, funcionando como um impulso direto para a economia local.
Já nos centros maiores, com mais de 48.303 habitantes, essa dinâmica se desloca progressivamente para a produção regional. Nesses locais, as cidades atendem não apenas à sua própria produção, mas também à demanda gerada pelos municípios produtores ao redor. Nesses grandes centros, cada 1.000 hectares adicionais de soja nos municípios vizinhos estão associados a cerca de 68 novos empregos formais não agropecuários, R$ 9,4 milhões adicionais de PIB não agropecuário real e 118 novos residentes.
A interiorização dessas atividades industriais gera efeitos econômicos expressivos, concentrados principalmente em centros regionais com população entre aproximadamente 87 mil e 342 mil habitantes. Nesse grupo, cada emprego adicional nos segmentos industriais da cadeia está associado a cerca de 19 empregos formais em outras atividades, R$ 2,6 milhões adicionais de PIB não agropecuário real, R$ 2 milhões em valor adicionado pelos serviços e 44 novos residentes. O levantamento reforça, assim, que a atração de indústrias do setor mobiliza o comércio, o transporte e os serviços locais, consolidando esses municípios como polos econômicos do interior.