Agro

Tecnologia agrícola ajuda a combater a inflação com 'grãos resilientes'

29 ago 2026 às 12:14

A evolução tecnológica no campo tem atenuado os impactos das oscilações climáticas sobre a inflação de alimentos no País. Segundo o coordenador dos Índices de Preços da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), André Braz, o aprimoramento de cultivares — a exemplo do milho desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que demanda 25% menos água — permite colheitas em condições adversas.


Apesar dos avanços tecnológicos, a estabilidade dos preços permanece vulnerável a eventos climáticos extremos. Para André Braz, a recorrência de fenômenos como o El Niño compromete as projeções de regularidade na produção.


Além do clima, o economista aponta que tensões geopolíticas e restrições comerciais exercem pressão constante sobre os mercados globais. Essa dinâmica altera a percepção tradicional da sazonalidade agrícola.


Mudança nos padrões de consumo


De acordo com o professor sênior da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA-USP), Heron do Carmo, o menor protagonismo sazonal reflete também transformações nos hábitos de consumo.


O professor destaca que a maior abertura comercial ampliou a disponibilidade de produtos e a integração do mercado nacional. Como resultado, variações climáticas regionais deixaram de impactar severamente os preços de itens básicos como feijão, batata e tomate.


Na pecuária bovina, a transição para o modelo de confinamento também reduziu a tradicional alta de preços registrada no inverno devido à escassez de pasto

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