O acirramento dos conflitos no Oriente Médio em 2026 acendeu o sinal de alerta para a avicultura brasileira. A região, que em 2025 foi o destino de quase um quarto de todos os embarques nacionais de carne de frango, enfrenta instabilidades que podem paralisar o comércio bilateral.
Rotas Bloqueadas e Países Afetados
Dados da Secex revelam que Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita ocupam, respectivamente, o primeiro e o terceiro lugar no ranking de maiores compradores do Brasil, somando mais de 877 mil toneladas importadas no último ano.
O cenário agravou-se nesta segunda-feira (2), com o anúncio do fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã. A medida bloqueia uma das rotas marítimas mais vitais para a Península Arábica, atingindo diretamente:
Catar;
Emirados Árabes Unidos;
Arábia Saudita;
Líbano.
O Desafio da Realocação
Agentes consultados pelo Cepea avaliam a possibilidade de redirecionar a produção para outros mercados ou para o consumo doméstico. No entanto, a transição não é simples. O Oriente Médio importa prioritariamente o frango inteiro, o que exige adaptações específicas que o Brasil ainda precisa contornar:
Logística e Leis: Questões fitossanitárias e contratos legais dificultam a mudança imediata de destino internacional.
Mercado Interno: O escoamento para o Brasil exigiria trocas de embalagens, etiquetas e adequação de cortes, gerando novos custos e desafios operacionais ao setor.
Caso o bloqueio persista, a tendência é que o aumento da oferta interna de proteína pressione os preços no varejo brasileiro, embora traga incertezas sobre a rentabilidade dos produtores.