A comercialização de hortigranjeiros nas Centrais de Abastecimento (Ceasas) brasileiras apresentou retração em 2025. O cenário refletiu os efeitos de oscilações climáticas no campo, custos de produção elevados e mudanças na dinâmica de oferta e demanda interna. Em contrapartida, as exportações de frutas registraram um recorde histórico, impulsionadas pelo desempenho de culturas como manga, melão, melancia e limão.
De acordo com levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) feito em 54 Ceasas do país, o volume total comercializado caiu 0,82% em relação ao ano anterior. O valor movimentado registrou queda de 9,29%, indicando retração nos preços médios pagos aos produtores.
Impacto nas hortaliças e estabilidade nos tubérculos
No segmento de hortaliças, a retração foi de 2,8% nas 26 centrais que oferecem dados detalhados. A queda foi puxada pelo grupo de hortaliças-fruto (como tomate, pimentão, abobrinha, pepino e chuchu), cuja produção foi severamente afetada pelo clima.
Na contramão, a categoria de raízes, bulbos e tubérculos cresceu 1,06%, impulsionada por uma maior oferta de batata e cenoura, o que garantiu preços mais estáveis ao consumidor.
Comportamento das frutas no mercado interno
O volume de frutas brasileiras negociado nas Ceasas recuou 1,52%, somando 4,99 milhões de toneladas em 2025. A redução do abastecimento interno foi mais sensível em culturas específicas:
Mamão: teve queda acentuada de 11,37% no volume por conta do excesso de chuvas, redução da área plantada e doenças fúngicas;
Melancia: recuou 8,6%, impactada pelas variações de temperatura no Sul e Sudeste;
Banana: apresentou retração de 7,24% na oferta total;
Maçã e Laranja: registraram quedas de 4,39% e 1,28%, respectivamente.
A Conab destaca que parte das frutas de maior rentabilidade acabou direcionada ao comércio exterior, diminuindo a oferta disponível para o consumidor brasileiro.
Exportações atingem máxima histórica
Enquanto o mercado doméstico enfrentou oscilações, as vendas de frutas para o exterior atingiram o maior patamar da série histórica. O Brasil exportou 1,31 milhão de toneladas em 2025 (alta de 19,7%), gerando uma receita de US$ 1,56 bilhão (crescimento de 29%).
O grupo formado por manga, melão, melancia e limão representou mais de 73% de todo o volume embarcado para fora do país, tendo a União Europeia como o principal mercado comprador. Para a Conab, os resultados ratificam a competitividade e a resiliência do setor produtivo da fruticultura nacional.