Agro

Vinhos premiados transformam o Cerrado em destino turístico

30 ago 2026 às 16:16

O Cerrado brasileiro também se tornou cenário para a produção de vinhos premiados. No Distrito Federal, vinícolas vêm ganhando espaço, atraindo visitantes e transformando a produção de uvas em uma nova experiência de turismo rural.


É nesse cenário que começa a série especial Rotas do Campo, que apresenta iniciativas que movimentam a economia, valorizam o produtor e criam novas formas de conhecer o Brasil rural.


Vinícola reúne famílias produtoras

A pouco menos de uma hora do centro de Brasília, a paisagem urbana dá lugar ao Cerrado. É ali que está a Vinícola Brasília, uma estrutura inspirada na arquitetura da capital federal, com rampas, espelhos d'água, arcos e janelas que fazem referência aos palácios da cidade.


O empreendimento nasceu da união de 10 famílias produtoras de uvas da região. Juntas, elas já somam mais de 120 premiações nacionais e internacionais.


Segundo os produtores, a troca de conhecimento entre as famílias é um dos fatores que contribuem para a qualidade dos vinhos produzidos no Cerrado.


Enoturismo aproxima visitantes do campo

Além da produção, a vinícola investiu no enoturismo, criando visitas guiadas para aproximar o consumidor da história e dos processos envolvidos na fabricação da bebida.


Os passeios acontecem pelo menos três vezes por semana e começam no salão principal, onde os visitantes conhecem a história da vinícola e têm contato com alguns dos principais rótulos produzidos no local.


Para os produtores, o vinho tem uma característica que desperta a curiosidade do consumidor: a bebida carrega marcas das condições em que foi produzida, desde o clima até o trabalho realizado no campo.


A experiência também atrai visitantes que já conhecem vinícolas de outras regiões do país e buscam uma alternativa mais próxima de Brasília.


Uvas são produzidas com técnica de dupla poda

Entre as variedades cultivadas pelas famílias estão Syrah, Tempranillo e Cabernet.


Um dos principais diferenciais da produção no Distrito Federal é a utilização da técnica conhecida como dupla poda, que modifica o ciclo natural da videira.


Com o método, a colheita acontece durante o período de seca e inverno, aproveitando uma das características marcantes do Cerrado: a grande amplitude térmica, com dias quentes e noites frias.


Segundo os produtores, as condições contribuem para a qualidade das uvas e permitem a elaboração de vinhos finos com potencial de guarda.


Visita termina na cave

Um dos pontos mais aguardados do passeio é a cave, localizada no subsolo da vinícola. É nesse espaço que ficam os barris de carvalho utilizados no processo de amadurecimento dos vinhos.


Alguns rótulos permanecem entre 12 e 18 meses nas barricas e podem ficar até dois anos na cave. Depois, os vinhos seguem para as garrafas, onde descansam por mais alguns meses antes de chegar ao consumidor.


Na etapa final da visita, os turistas participam de uma degustação de vinhos acompanhada por queijos, frutas, castanhas e embutidos produzidos na região.


A proposta também é valorizar outros produtores locais e fortalecer a economia da comunidade que vive no entorno da vinícola.


Turismo valoriza produção local

Para quem participa do passeio, a experiência vai além da degustação. O contato direto com os produtores permite conhecer a trajetória das famílias e entender como o vinho é produzido desde o cultivo da uva.


A combinação entre agricultura, gastronomia, produção de vinhos e turismo transforma a propriedade rural em um espaço de experiências.


E a viagem da série Rotas do Campo continua. Depois de conhecer os vinhos produzidos no Cerrado, a próxima parada será em São Paulo, onde o destaque será outra fruta que também movimenta o turismo rural: o morango.

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