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Guarda Revolucionária põe Irã rumo à ditadura militar, diz especialista

13 jun 2026 às 10:12

O Irã pode estar à beira de uma transição definitiva para uma ditadura militar. Após a morte do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, em fevereiro, analistas internacionais identificam sinais claros de que o poderoso Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) assumiu o controle político e administrativo das principais decisões em Teerã.


O cientista político e pesquisador da paz Damon Golriz, da Universidade de Ciências Aplicadas de Haia, na Holanda, aponta que o centro do poder oficial se deslocou de forma drástica. "Sob a fachada clerical, o comando foi transferido para os quartéis. Mojtaba Khamenei, filho do antigo líder, fornece a cobertura ideológica necessária, enquanto a Guarda Revolucionária assume o trabalho real de governar", resume o especialista.


Mojtaba Khamenei assumiu o posto máximo após o falecimento de seu pai, alvo de um ataque aéreo conjunto realizado pelos Estados Unidos e Israel. Desde então, postos estratégicos em ministérios, empresas estatais de energia e instituições de propaganda oficial vêm sendo sistematicamente preenchidos por comandantes de alta patente da IRGC.


O próprio Mojtaba possui fortes laços com a ala militar, tendo servido no Batalhão Habib da organização durante a Guerra Irã-Iraque (1980-1988). Essa rede composta pela linha-dura do regime forma atualmente o núcleo da liderança do país e coordena as atividades de inteligência estatal.


Paramilitarismo e a doutrina oficial


A influência de Mojtaba junto aos militares não é recente. Durante a repressão aos protestos civis de 2009, ele assumiu o comando direto da Basij, uma milícia voluntária que atua sob o guarda-chuva da Guarda Revolucionária. Na ocasião, as reuniões de segurança nacional foram transferidas para a "Casa do Líder", complexo fortificado no centro de Teerã onde funcionava o gabinete paralelo do regime.


Apesar da forte centralização militar, ainda vigora no país a doutrina islâmica oficial do Velayat-e Faghih (a regência do jurista islâmico), formulada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini em 1970. Oficialmente, o novo líder supremo foi referendado em março de 2026, embora ele não possua o título de aiatolá — sua graduação religiosa é Hojatoleslam, um degrau abaixo na hierarquia xiita.


Damon Golriz sinaliza que a escolha ocorreu sob forte pressão dos quartéis. "A nomeação de Mojtaba consolida a realidade de que o cálculo político e o equilíbrio de armas se tornaram o fator decisivo, e não mais a legitimidade religiosa. Ele é um líder no papel, mas uma figura puramente decorativa", afirma.


O Estado paralelo e o colapso econômico


A tomada gradual das estruturas nacionais pela IRGC remonta ao período de reconstrução pós-guerra, quando empresas ligadas à milícia abocanharam grandes contratos de infraestrutura. Em 2004, uma emenda constitucional legalizou as atividades comerciais da unidade, que conta com cerca de 190 mil soldados ativos. Hoje, estima-se que o grupo controle cerca de 50% da produção de petróleo do Irã, gerando um Estado paralelo autossuficiente.


Enquanto os militares enriquecem, a população local enfrenta uma das piores crises humanitárias e financeiras da região. Economistas projetam uma contração de até 10% no PIB iraquiano em 2026, com a inflação ultrapassando a marca dos 80% em diversas províncias. Atualmente, metade dos 93 milhões de habitantes do país vive abaixo da linha da pobreza.


O distanciamento ideológico da população jovem — que possui idade média de 34 anos — em relação ao clero agravou-se após episódios de violência estatal, como a morte da jovem curda Mahsa Amini, em 2022, que desencadeou protestos em massa contra a obrigatoriedade do uso do véu islâmico. Cientistas políticos concordam que o modelo híbrido militar-religioso enfrenta uma crise severa de governabilidade, tornando incerto o caminho para uma estabilidade duradoura no Golfo Pérsico.


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