O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na noite desta sexta-feira (12) a morte do criminoso venezuelano Niño Guerrero, apontado como o líder máximo do grupo transnacional Tren de Aragua. De acordo com o pronunciamento da Casa Branca, uma operação cirúrgica conduzida pelas forças militares do Comando Sul realizou um ataque rápido e letal contra o chefe da organização, classificada por Trump como "uma das mais sanguinárias do planeta".
Em suas redes sociais, o mandatário norte-americano celebrou o resultado da ofensiva militar. “Durante minha campanha, prometi expulsar esses monstros do nosso país e fazer justiça às famílias daqueles que eles massacraram. Com esta ação, as Forças Armadas dos Estados Unidos fizeram justiça por eles, suas famílias e seus entes queridos”, declarou.
Trump ressaltou que, logo no início de seu mandato, designou oficialmente o Tren de Aragua como uma organização terrorista estrangeira. A medida adota o mesmo rigor jurídico e operacional que o governo dos Estados Unidos aplica atualmente para monitorar e sancionar facções criminosas brasileiras de grande porte, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
Cooperação diplomática e ataque filmado
Segundo o presidente dos EUA, a operação desta sexta-feira foi coordenada a partir de uma colaboração estratégica com agências de inteligência da Venezuela. Trump acrescentou que, com o avanço dessa parceria bilateral, os criminosos não possuem mais santuários na região. "Os terroristas do Tren de Aragua não têm mais refúgio na Venezuela ou em qualquer outro lugar. Encontraremos esses assassinos cruéis e chefões do narcotráfico e os enviaremos para as profundezas do inferno”, pontuou.
Embora o governo americano não tenha revelado as coordenadas exatas de onde o bombardeio foi executado, Trump publicou um vídeo em sua plataforma digital mostrando imagens aéreas do monitoramento tático. O registro exibe o instante exato em que um míssil atinge uma residência de alto padrão, aparentemente localizada em uma área de mata densa, provocando uma explosão generalizada.
A origem da facção e a expansão nas Américas
A facção criminosa Tren de Aragua consolidou suas primeiras bases de operação na prisão de Tocorón, localizada no estado de Aragua, no norte da Venezuela. Sob o comando de Niño Guerrero, os líderes do grupo transformaram o interior do presídio em um verdadeiro complexo privado, equipado com piscina, restaurantes, salas de jogos de azar e até um zoológico particular. Do interior das celas, os criminosos gravavam execuções e sessões de tortura de rivais para manter o controle absoluto sobre a massa carcerária.
Com o agravamento da crise socioeconômica venezuelana e o consequente fluxo migratório, a organização expandiu seus tentáculos e passou a explorar civis em situação de extrema vulnerabilidade. Rapidamente, a influência do grupo se estendeu por diferentes países da América Latina, tornando-se uma das organizações criminosas transnacionais mais violentas do continente, com forte atuação no tráfico internacional de drogas, contrabando de armas, coiotismo (tráfico de pessoas) e exploração sexual.
O bando já havia sido classificado como uma ameaça global em 2024 pela gestão de Joe Biden. Na visão da atual administração de Trump, o grupo conduzia uma espécie de "guerra irregular" contra a integridade do território dos Estados Unidos na fronteira sul, atuando de maneira clandestina em rotas de infiltração. Com a morte de Niño Guerrero, polícias de toda a América do Sul entram em estado de alerta para monitorar uma provável disputa sangrenta pelo controle do tráfico na organização.