A Justiça de São Paulo decretou, nesta segunda-feira (16), a prisão preventiva da delegada da Polícia Civil Layla Lima Ayub e de seu namorado, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como "Dedel". Layla, que vinha sendo chamada de "delegada do PCC", e o companheiro — apontado como líder da facção na região Norte do país — estavam presos temporariamente desde janeiro. Eles são acusados de atuar em favor da organização criminosa e de participar de esquemas de lavagem de dinheiro.
Com a decisão do juiz Paulo Fernando Deroma De Mello, da 2ª Vara de Crimes Tributários e Organização Criminosa, Layla deverá ser transferida da carceragem do 6º Distrito Policial, no Cambuci, para a Penitenciária de Tremembé. Já "Dedel" permanecerá no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pinheiros. O magistrado destacou que a medida é necessária para interromper as atividades ilícitas e impedir que os acusados interfiram na instrução do processo.
Colaboração com facção e uso do cargo
As investigações conduzidas pela Corregedoria da Polícia Civil indicam que Layla utilizou o cargo de delegada para colaborar com a facção. Entre as irregularidades apontadas, constam o compartilhamento de dados sigilosos da Academia de Polícia e o acesso indevido à nuvem de armazenamento de um colega da corporação para antecipar-se a diligências e obstruir investigações. A Corregedoria também identificou que Layla atuou como advogada em audiências mesmo após ter tomado posse na polícia paulista, defendendo membros do Comando Vermelho no Pará.
Além das infrações funcionais, a delegada é acusada de produzir e divulgar material musical em exaltação ao PCC. De acordo com o relatório policial, o casal demonstrava capacidade de coordenação logística em São Paulo e no Pará, utilizando inclusive uma padaria na Zona Leste da capital paulista para a lavagem de capitais. "Dedel", por sua vez, é investigado por planejar atentados contra autoridades do sistema prisional e magistrados.
Risco de fuga e manutenção da ordem pública
Ao fundamentar a prisão preventiva, o juiz Paulo Deroma ressaltou que a primariedade dos réus não é suficiente para evitar a detenção, visto que os indícios sugerem que o crime se tornou o "meio de vida" dos investigados. O magistrado alertou para o risco concreto de destruição de vestígios digitais e intimidação de testemunhas caso o casal respondesse ao processo em liberdade.
Outro ponto determinante para a decisão foi o risco de evasão. O juiz pontuou que a gravidade das penas previstas e a falta de vínculos concretos com o distrito da culpa poderiam levar os acusados à fuga, o que comprometeria a aplicação da lei penal. O Ministério Público manifestou-se favoravelmente à manutenção da prisão, corroborando a tese de que há indícios robustos de autoria e materialidade nos delitos de organização criminosa e lavagem de dinheiro.