O Ministério da Educação (MEC) e o Inep divulgaram, nesta segunda-feira (19), em Brasília (DF), um balanço alarmante sobre a qualidade do ensino médico no Brasil. Os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) revelam que 107 cursos de Medicina obtiveram conceitos 1 e 2 — níveis considerados insatisfatórios.
O impacto será imediato: as instituições mal avaliadas enfrentarão desde a redução de vagas até a suspensão total de novos ingressos e o bloqueio de participação em programas federais, como o Fies. A divulgação ocorreu sob tensão jurídica. No último final de semana, entidades que representam universidades particulares tentaram uma liminar na Justiça para impedir a publicação do ranking. O pedido, no entanto, foi negado, garantindo a transparência dos dados à população.
Radiografia do Ensino: 30% dos cursos reprovados
Ao todo, 351 cursos foram avaliados. O raio-x do desempenho mostra um cenário preocupante para quem busca formação na área da saúde:
- Conceito 1 (nota mínima): 24 cursos.
- Conceito 2 (insatisfatório): 83 cursos.
A avaliação envolveu 89 mil alunos. O dado mais crítico refere-se aos concluintes: dos 39 mil estudantes que estão prestes a entrar no mercado de trabalho, 13 mil não atingiram o nível de conhecimento considerado "proficiente" pelo Inep. Ou seja, um em cada três novos médicos não demonstrou domínio suficiente das competências básicas na prova.
Mão pesada: o que acontece com as faculdades?
O ministro da Educação, Camilo Santana, que confirmou à Band, nesta segunda-feira (19), que deixará o ministério, reforçou que o objetivo não é apenas punir, mas garantir a segurança dos pacientes que serão atendidos por esses profissionais no futuro. Das 107 instituições reprovadas, 99 sofrerão sanções diretas do MEC (as demais, por serem estaduais ou municipais, respondem a conselhos próprios).
Veja as punições aplicadas:
8 cursos: Suspensão total de novos alunos e bloqueio no Fies.
13 cursos: Corte de 50% das vagas atuais.
33 cursos: Corte de 25% das vagas atuais.
45 cursos: Proibição de qualquer aumento de vagas por tempo indeterminado.
As universidades terão um prazo legal para apresentar defesa, mas as restrições de vagas e acesso a verbas federais já começam a valer conforme o rito administrativo do MEC.