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Mais de 100 cursos de Medicina reprovam no Enamed e sofrem punições severas

20 jan 2026 às 10:41

O Ministério da Educação (MEC) e o Inep divulgaram, nesta segunda-feira (19), em Brasília (DF), um balanço alarmante sobre a qualidade do ensino médico no Brasil. Os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) revelam que 107 cursos de Medicina obtiveram conceitos 1 e 2 — níveis considerados insatisfatórios.


O impacto será imediato: as instituições mal avaliadas enfrentarão desde a redução de vagas até a suspensão total de novos ingressos e o bloqueio de participação em programas federais, como o Fies. A divulgação ocorreu sob tensão jurídica. No último final de semana, entidades que representam universidades particulares tentaram uma liminar na Justiça para impedir a publicação do ranking. O pedido, no entanto, foi negado, garantindo a transparência dos dados à população.


Radiografia do Ensino: 30% dos cursos reprovados


Ao todo, 351 cursos foram avaliados. O raio-x do desempenho mostra um cenário preocupante para quem busca formação na área da saúde:


Conceito 1 (nota mínima): 24 cursos.

Conceito 2 (insatisfatório): 83 cursos.


A avaliação envolveu 89 mil alunos. O dado mais crítico refere-se aos concluintes: dos 39 mil estudantes que estão prestes a entrar no mercado de trabalho, 13 mil não atingiram o nível de conhecimento considerado "proficiente" pelo Inep. Ou seja, um em cada três novos médicos não demonstrou domínio suficiente das competências básicas na prova.


Mão pesada: o que acontece com as faculdades?

O ministro da Educação, Camilo Santana, que confirmou à Band, nesta segunda-feira (19), que deixará o ministério, reforçou que o objetivo não é apenas punir, mas garantir a segurança dos pacientes que serão atendidos por esses profissionais no futuro. Das 107 instituições reprovadas, 99 sofrerão sanções diretas do MEC (as demais, por serem estaduais ou municipais, respondem a conselhos próprios).


Veja as punições aplicadas:


8 cursos: Suspensão total de novos alunos e bloqueio no Fies.

13 cursos: Corte de 50% das vagas atuais.

33 cursos: Corte de 25% das vagas atuais.

45 cursos: Proibição de qualquer aumento de vagas por tempo indeterminado.


As universidades terão um prazo legal para apresentar defesa, mas as restrições de vagas e acesso a verbas federais já começam a valer conforme o rito administrativo do MEC.