Depois de um pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, 14 países latino-americanos aceitaram classificar o PCC, o Comando Vermelho e mais 22 cartéis das drogas como grupos terroristas - um conceito rejeitado pelo governo brasileiro.
A coalizão criada por Trump em março de 2026 é chamada de 'Escudo das Américas', e reúne os Estados Unidos e alguns países das Américas, a maior parte deles com governos alinhados a Trump, como Argentina, Colômbia e El Salvador.
Segundo o Departamento de Estado dos EUA, os países participantes pretendem adotar medidas como congelamento de ativos, restrições migratórias e responsabilização criminal para integrantes e apoiadores dessas organizações.
O Brasil não faz parte do grupo que propõe ações conjuntas contra facções classificadas como terroristas.
EUA passaram a classificar facções brasileiras como terroristas a partir de junho
O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) passam a ser oficialmente classificados como organizações terroristas pelos Estados Unidos oficialmente em 5 de junho de 2026, após anúncio feito pelo presidente Donald Trump no fim de maio.
Com a entrada em vigor da classificação, PCC e CV passaram a integrar a lista de Organizações Terroristas dos Estados Unidos. Na prática, as facções deixam de ser tratadas apenas como grupos ligados ao narcotráfico e ao crime organizado pelas autoridades americanas, passando a ser alvo de mecanismos voltados ao combate ao terrorismo.
A legislação dos EUA também prevê punições para pessoas físicas e jurídicas que forneçam apoio a organizações consideradas terroristas. O conceito inclui diferentes formas de assistência, como recursos financeiros, serviços, suporte logístico e outras modalidades de colaboração.
Outro efeito esperado é o aumento da fiscalização sobre instituições financeiras e empresas que mantenham operações vinculadas ao sistema financeiro norte-americano. Essas organizações poderão ser pressionadas a reforçar mecanismos de controle para evitar relações diretas ou indiretas com integrantes das facções ou empresas ligadas a elas. Além disso, bens identificados em território americano ou submetidos à legislação dos Estados Unidos podem ser congelados.
A medida ainda pode resultar em restrições migratórias. Pessoas enquadradas pelas autoridades americanas podem enfrentar impedimentos para entrar nos Estados Unidos, além de outras sanções relacionadas à concessão de vistos.
Apesar dos efeitos nos Estados Unidos, a decisão não altera a legislação brasileira. No Brasil, PCC e CV continuam sendo enquadrados como organizações criminosas, sem mudança em seu status jurídico dentro do território nacional. O governo brasileiro alega que a adoção dessa classificação pode afetar a soberania nacional ao permitir uma atuação americana mais ampla no País.