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Tifanny reage à proibição do COI a atletas trans: 'grande retrocesso'

O COI anunciou, ontem (26), que vai restringir a categoria feminina dos esportes olímpicos a atletas do sexo biológico feminino a partir dos Jogos de Los Angeles
27 mar 2026 às 18:16
Por: UOL
Imagem: Divulgação/CBV

Tifanny Abreu, ponteira do Osasco, classificou a recente medida do Comitê Olímpico Internacional (COI) sobre atletas trans como um "grande retrocesso".


O COI anunciou, ontem (26), que vai restringir a categoria feminina dos esportes olímpicos a atletas do sexo biológico feminino a partir dos Jogos de Los Angeles-2028, com um teste genético feito uma única vez na vida.


"Essa notícia é muito triste e representa um grande retrocesso para o esporte. (...) Direitos não podem andar para trás. O mundo não pode regredir. Ou a gente se posiciona agora, ou aceita ver conquistas sendo desmontadas pouco a pouco por uma extrema direita que insiste em excluir, dividir, destruir." - Tifanny, em nota.


No fim do mês passado, Tifanny se viu envolvida em uma briga judicial para participar da semifinal da Copa Brasil de Vôlei Feminino.

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O duelo aconteceu em Londrina, e vereadores da cidade aprovaram um requerimento para vetá-la sob o argumento dela ser "publicamente declarada como atleta trans".


A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) moveu uma ação na Justiça do Paraná e no Supremo Tribunal Federal (STF) — e ambos concederam liminar favorável à participação de Tifanny na partida.


"Mostra-se fora de dúvida razoável que há possibilidade de se interpretar e fazer incidir o conteúdo da Lei Municipal n. 13.770/2024, o geraria grande perplexidade e insegurança jurídica e social, por materializar um retrocesso nas políticas de inclusão social, de igualdade de gênero e de promoção da dignidade humana, desenhadas no Brasil nas últimas décadas e reiteradamente validadas em decisões vinculantes emanadas deste Supremo Tribunal", disse trecho da sentença do STF.

Regra do COI

A nova regra do COI prevê que a elegibilidade na categoria feminina será definida por uma triagem para detectar o gene SRY, ligado ao cromossomo Y. O exame poderá ser feito por saliva, swab na bochecha ou amostra de sangue.


A medida impede a participação de mulheres trans e também de atletas com diferenças no desenvolvimento sexual (DSD) na categoria feminina. O COI afirma que quem não atender ao critério poderá competir em outras classificações para as quais se enquadre, como categorias masculinas, mistas com vaga masculina ou categorias abertas.


"Existe um discurso de que tudo isso é para "proteger o esporte feminino", mas na prática a gente vê outra coisa. Quando o assunto envolve pessoas trans, sempre surge uma tentativa de tirar, excluir, questionar sua presença — independentemente do contexto." - Tifanny, em nota.


A presidente do COI, Kirsty Coventry, afirmou que a decisão foi conduzida por especialistas médicos e mira a disputa em alto nível. "Nos Jogos Olímpicos, até as menores margens podem significar a diferença entre a vitória e a derrota", disse Coventry.


Coventry também citou argumentos de justiça esportiva e segurança em modalidades específicas. "Portanto, é absolutamente claro que não seria justo que homens biológicos competissem na categoria feminina. Além disso, em alguns esportes, isso simplesmente não seria seguro", afirmou.


O COI diz considerar o teste pouco invasivo em comparação com outros métodos e que o resultado negativo vale de forma permanente.

Nota da Tifanny

"Sobre nova regra anunciada pelo Comitê Olímpico Essa notícia é muito triste e representa um grande retrocesso para o esporte.


Muita gente tenta reduzir esse debate a um ataque exclusivo às pessoas trans, mas não é só sobre isso. É sobre mulheres. Sobre todas as mulheres.

Com essas novas regras, muitas atletas podem ser prejudicadas -- inclusive mulheres cis -- por critérios cada vez mais questionáveis. E isso precisa ser discutido com responsabilidade, não com exclusão.


Existe um discurso de que tudo isso é para "proteger o esporte feminino", mas na prática a gente vê outra coisa. Quando o assunto envolve pessoas trans, sempre surge uma tentativa de tirar, excluir, questionar sua presença — independentemente do contexto.


Tivemos um exemplo claro recentemente com a Erika Hilton, que teve sua identidade questionada ao ponto de tentarem retirá-la de um espaço que é, justamente, de representação das mulheres. Se antes o argumento era "vantagem" ou "força", nesse caso foi o quê?


Isso mostra que nunca foi só sobre desempenho. É sobre quem é reconhecida como mulher.


Enquanto nós não entendermos que a luta precisa ser por todas — todas as mulheres, sem exceção — vamos continuar abrindo espaço para decisões que nos dividem e nos enfraquecem.


Direitos não podem andar para trás. O mundo não pode regredir.


Ou a gente se posiciona agora, ou aceita ver conquistas sendo desmontadas pouco a pouco por uma extrema direita que insiste em excluir, dividir, destruir".

Nota da CBV

"A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) teve acesso à matéria publicada no site do Comitê Olímpico Internacional (COI) sobre a nova política de elegibilidade para categoria feminina dos esportes olímpicos, mas não foi comunicada oficialmente.


A CBV continuará seguindo as diretrizes do COI, do Comitê Olímpico do Brasil (COB) e da Federação Internacional de Voleibol (FIVB) relativas ao esporte olímpico e pertinentes ao voleibol".

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