A Justiça brasileira impediu a saída de uma turista argentina do país após a mulher ser flagrada cometendo atos racistas em um estabelecimento comercial no Rio de Janeiro. A decisão judicial ocorreu após a Polícia Civil identificar que a suspeita pretendia retornar para a Argentina nos próximos dias. O caso é investigado como crime de injúria racial e envolve uma advogada que se exaltou durante o pagamento de uma conta.
O episódio aconteceu na última quarta-feira (15) em um bar localizado no bairro de Ipanema, na Zona Sul da capital fluminense. A vítima das ofensas é um funcionário do estabelecimento. O desentendimento começou no momento em que a conta foi apresentada, levando a turista a proferir insultos de cunho racial.
Investigação e medidas judiciais
Imagens e relatos colhidos pela polícia detalham que a advogada argentina, identificada como Agostina Paez, fez gestos com os braços e gritou a palavra "monos", termo que, em espanhol, significa macacos. A reação agressiva teria sido motivada por uma insatisfação com os valores ou processos de fechamento da conta no local. Diante da gravidade dos fatos e do risco de fuga, as autoridades agiram para garantir a continuidade do processo legal em solo brasileiro.
A Justiça do Rio de Janeiro emitiu uma medida cautelar que proíbe formalmente a saída de Agostina Paez do território brasileiro. Além da retenção, a magistratura determinou que a turista instale uma tornozeleira eletrônica em um prazo máximo de cinco dias. A medida visa monitorar o deslocamento da investigada enquanto o inquérito policial avança.
O crime de injúria racial no Brasil é inafiançável e imprescritível, equiparado ao crime de racismo conforme legislação vigente. A defesa da argentina ainda não se manifestou publicamente sobre as determinações judiciais. O processo segue em tramitação na Polícia Civil do Rio de Janeiro, que deve ouvir novas testemunhas e analisar imagens de câmeras de segurança do bar para concluir o relatório final.