A Justiça recebeu a denúncia por homicídio qualificado contra o condutor acusado de provocar a morte do policial militar Ariel Júlio Rubenich, em novembro do ano passado, durante uma perseguição policial em Cascavel. O caso, que teve grande repercussão, agora tramita na Vara do Tribunal do Júri, onde aguarda a manifestação da defesa.
Passados dois meses da tragédia, familiares e amigos ainda convivem com a ausência do soldado da Polícia Militar, morto no exercício da função. No local do acidente, as flores secas seguem como símbolo de homenagem e de um pedido por justiça. O advogado Luciano Katarinhuk passou a atuar como assistente de acusação no processo.
O crime ocorreu no dia 25 de novembro. Na ocasião, o soldado Ariel pilotava uma motocicleta da PM, com sirenes acionadas, durante a tentativa de interceptação de um veículo em fuga, conduzido por Edson Ferreira da Cruz. Conforme a denúncia, o motorista realizou uma manobra brusca de fechamento, atingindo a motocicleta. Ariel perdeu o controle e colidiu contra uma árvore no canteiro central da Avenida Tancredo Neves, morrendo ainda no local.
Mesmo após o impacto, o condutor seguiu em fuga por cerca de dois quilômetros, colidindo com outros veículos até ser abordado e preso na Rua Tapajós. Ainda segundo os autos, ele teria resistido à prisão, jogando o carro contra uma viatura e mordendo um dos policiais envolvidos na abordagem.
A denúncia foi oferecida pela 17ª Promotoria de Justiça e aponta quatro qualificadoras para o crime: o perigo comum gerado pela fuga em alta velocidade, a dificuldade de defesa da vítima em razão da manobra realizada, a tentativa de garantir a impunidade por estar cometendo outros crimes e o fato de a vítima ser um agente de segurança pública.
O Ministério Público também anexou à denúncia elementos que, segundo a acusação, reforçam a gravidade da conduta, incluindo um comentário feito pelo denunciado em redes sociais dias antes do ocorrido. Edson Ferreira da Cruz permanece preso e, caso seja pronunciado pela Justiça, deverá ser julgado pelo Tribunal do Júri.