Cidade

Lixão desativado volta a preocupar moradores em Londrina

02 jun 2026 às 10:51

Desativado há mais de 15 anos por não suportar o volume de resíduos da cidade, o antigo Aterro do Limoeiro, em Londrina, voltou a ser alvo de denúncias por parte dos moradores da região. Relatos e flagrantes recentes apontam que a área, que deveria ter acesso rigorosamente restrito, está recebendo descarte irregular de resíduos sólidos e materiais orgânicos proibidos por órgãos ambientais.


Na entrada do local, uma placa informa que o acesso é permitido apenas para pessoas autorizadas pela CMTU e caminhões carregados com entulhos. Pelas regras estabelecidas pelo Instituto Água e Terra (IAT) o lixo domiciliar foi totalmente proibido no espaço após a desativação do aterro.


Desde então, os resíduos domésticos passaram a ser destinados para a Central de Tratamento de Resíduos (CTR), no distrito de Maravilha. No antigo aterro, ficou autorizado apenas o descarte de restos da construção civil e materiais recolhidos em mutirões de limpeza contra a dengue.


No entanto, segundo denúncias dos moradores, a prática irregular continua acontecendo. Caçambas estariam despejando galhos de árvores, rejeitos orgânicos e outros materiais proibidos em meio ao entulho autorizado.


Risco ambiental e preocupação com aeroporto


A situação reacende antigos problemas que levaram ao fechamento definitivo do local. Na época, a concentração de aves carniceiras no chamado “morro do lixo” gerava riscos às operações do Aeroporto de Londrina, já que a área fica próxima da rota das aeronaves.


Além disso, queimadas clandestinas de galhos e resíduos produziam fumaça intensa, o que motivou alertas da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) ao município.


O antigo lixão também ficou marcado por graves problemas sociais. Catadores e pessoas em situação de vulnerabilidade conviviam diariamente em condições insalubres em busca de materiais recicláveis, objetos de valor e até alimentos descartados.


Projeto de revitalização nunca saiu do papel


Após a desativação do aterro e a implantação da nova CTR, o Ministério Público determinou que o município realizasse a recuperação ambiental completa da área degradada.


Na ocasião, chegou a ser discutida a criação de um parque ambiental para uso da comunidade. O projeto, porém, nunca foi executado.


Atualmente, o espaço segue sendo utilizado como área de transição para descarte de materiais recolhidos em fundos de vale e mutirões de limpeza urbana. A falta de fiscalização rígida, no entanto, continua preocupando moradores da região, que temem a retomada da poluição e dos antigos impactos ambientais registrados no local.

Veja Também