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MPPR oferece denúncia contra vereadora Anne Ada por rachadinha em Londrina

11 mar 2026 às 21:26

O MPPR (Ministério Público do Estado do Paraná), por meio da 26ª Promotoria de Justiça de Londrina, ofereceu denúncia criminal contra a vereadora Anne Ada Moraes de Souza pela prática do crime de concussão. A acusação, protocolada junto à 4ª Vara Criminal, sustenta que a parlamentar utilizou-se do cargo público para exigir vantagem indevida de um servidor comissionado de seu gabinete, prática popularmente conhecida como "rachadinha". Segundo a investigação, o objetivo do repasse de valores seria o custeio de honorários advocatícios particulares da vereadora.


O fato teria ocorrido em 11 de novembro de 2025, nas dependências da Câmara Municipal de Londrina. Conforme detalhado na peça acusatória, Anne Ada teria convocado o então assessor parlamentar Ivens Alves Barata para uma conversa reservada no estacionamento do Legislativo durante uma sessão ordinária. Na ocasião, a parlamentar teria condicionado a permanência do servidor no cargo ao repasse de 50% dos vencimentos dele ao advogado Eduardo Caldeira. Diante da recusa do assessor em aderir ao esquema ilícito, a vereadora teria concretizado uma ameaça de retaliação, oficializando a exoneração do servidor em 28 de novembro daquele ano.


A denúncia do Ministério Público destaca que a estrutura do gabinete foi instrumentalizada para satisfazer interesses privados. Após a saída de Ivens, a vereadora nomeou Marcelo Ryan Caldeira da Silva, sobrinho do referido advogado, para o cargo de assessor parlamentar. Para a Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público, o ato administrativo de nomeação não atendeu ao interesse público, mas serviu como mecanismo para viabilizar a remuneração do profissional particular por intermédio de recursos públicos.


O promotor Renato de Lima Castro reforça na denúncia que a conduta configura uma prática contumaz, citando outros procedimentos em que a parlamentar é investigada por desvio de finalidade. O MPPR arrolou testemunhas que confirmaram a exigência ilícita e requer agora o recebimento da denúncia pelo Poder Judiciário. Caso condenada por concussão, a vereadora pode enfrentar penas de dois a doze anos de reclusão, além de sanções administrativas e perda do mandato.


A equipe de reportagem da Tarobá tentou contato com a vereadora para uma posição oficial sobre o assunto e, até o fechamento desta reportagem, não obteve resposta.

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