Trabalhadores terceirizados do setor de limpeza iniciaram uma série de protestos e manifestações em resposta aos atrasos recorrentes no pagamento de salários e benefícios. A mobilização ganhou força após a categoria denunciar que o problema se estende por três meses consecutivos, afetando diretamente as condições básicas de subsistência de quem depende do dinheiro para honrar compromissos financeiros.
Durante a assembleia de mobilização realizada na zona oeste, os manifestantes demonstraram forte indignação também contra o atraso crônico no depósito do vale-alimentação. Os trabalhadores rejeitaram em protesto uma proposta da empresa para alterar a data de pagamento do benefício e exigiram o cumprimento imediato do calendário original. Até o momento, apenas o vale-transporte foi depositado, enquanto parcelas do vale-alimentação do mês anterior seguem retidas.
Extensão do movimento no Norte do Estado
O protesto afeta diretamente a manutenção das delegacias da Polícia Civil, mas a empresa prestadora também opera em outras repartições. Embora os vencimentos tenham sido regularizados de última hora em locais como a UEL (Universidade Estadual de Londrina), o HU (Hospital Universitário), o IAT (Instituto Água e Terra) e a Regional de Saúde de Apucarana, a revolta da categoria permanece alta.
O sindicato que lidera as manifestações estima que o ato de protesto representa a insatisfação de cerca de mil funcionários sem receber em todo o Norte do Paraná.
Motivo dos protestos: Irregularidades na folha
O ato público dos trabalhadores também serviu para dar visibilidade a uma grave crise administrativa entre a empresa e o poder público. O sindicato denunciou no protesto que o Governo do Estado bloqueou os repasses financeiros após fiscalizar a prestadora de serviços e constatar duas irregularidades que lesam diretamente o bolso dos funcionários:
Bloqueio do FGTS: Falta de comprovação do recolhimento legal do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço.
Retenção ilícita: Valores de empréstimos consignados foram descontados dos salários dos trabalhadores, mas a empresa não repassou o dinheiro aos bancos, gerando cobranças indevidas aos funcionários.