A Polícia Civil do Paraná investiga a responsabilidade criminal do proprietário de dois cães da raça pitbull que invadiram uma residência na Vila Portuguesa, em Londrina, e atacaram um casal de cães da raça shih-tzu. Uma das vítimas não resistiu aos ferimentos e morreu. Caso seja comprovada a negligência na guarda dos animais ou a reincidência na fuga, o tutor poderá responder formalmente pelo crime de maus-tratos a animais com resultado morte.
De acordo com o delegado responsável pelas investigações, João Reis, as penalidades para o proprietário dependem diretamente da comprovação do histórico de comportamento do cuidador e das condições de contenção do imóvel. Estatísticas de segurança apontam que os ataques envolvendo cães, especialmente pitbulls, registraram um crescimento de 27% entre 2020 e 2023. No ano de 2024, a escalada da violência resultou em seis mortes confirmadas, tendo crianças e idosos como as principais vítimas de lesões graves.
Histórico de ocorrências na Região Metropolitana
O episódio na Vila Portuguesa junta-se a uma série de ataques violentos registrados recentemente em Londrina e municípios vizinhos:
Rolândia (Junho): Um pitbull atacou um cão comunitário em via pública. Durante a intervenção da Polícia Militar, o animal avançou contra a guarnição e precisou ser abatido pelos policiais.
Zona norte de Londrina (Janeiro): Dois cães da mesma raça fugiram de uma propriedade e atacaram a cadela Blanca. O animal teve uma das patas amputadas e morreu dias depois por complicações.
Cambé (Novembro): Um homem sofreu mutilações graves e perdeu a visão após ser atacado por dois pitbulls na área urbana.
Criação e medidas de prevenção
Apesar do perfil agressivo associado à raça nas estatísticas policiais, especialistas em comportamento animal reforçam que a conduta violenta de cães de grande porte é um reflexo direto do manejo. A falta de socialização, o isolamento severo e o confinamento inadequado promovidos pelos tutores são os principais gatilhos para o instinto de guarda agressivo.
Como diretrizes para mitigar riscos na zona oeste, a autoridade policial orienta os proprietários a adotarem barreiras físicas seguras nas propriedades, como portões reforçados e muros altos, além do uso obrigatório de guia curta, enforcador e focinheira durante os passeios em espaços públicos.