Uma das vítimas do esquema de estelionato e lavagem de dinheiro desarticulado pela Polícia Civil prestou depoimento nesta quinta-feira (5), revelando detalhes sobre o funcionamento da organização criminosa em Londrina. O homem, que terá a identidade preservada, relatou que os suspeitos utilizavam o nome de pessoas em situação de vulnerabilidade para realizar empréstimos indevidos e saques em cartões. Para atrair os “laranjas”, o grupo oferecia benefícios de alto padrão, como viagens para diversas cidades e passeios de lancha, criando uma ilusão de vantagem financeira imediata.
No entanto, a realidade por trás do luxo era de exploração e intimidação. A vítima descobriu que, em seu nome, foram movimentados cerca de R$ 2,5 milhões, valor do qual jamais usufruiu. Segundo o depoimento, quando as vítimas percebiam o golpe e tentavam desistir, passavam a ser ameaçadas. O homem relatou que chegava a ser seguido por indivíduos armados para garantir que não recuasse ou denunciasse o esquema. O delegado Edgard Soriani confirmou que o nome deste rapaz estava vinculado até mesmo à propriedade de uma lancha utilizada pelos criminosos.
Durante a Operação Fortuna Sombria, deflagrada na última terça-feira, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em Londrina, Sertaneja e no estado de São Paulo, resultando na apreensão de veículos, dinheiro em espécie e dispositivos eletrônicos. Em um dos celulares apreendidos, foram encontrados dados de parentes da vítima, reforçando o caráter intimidatório do grupo. A estimativa das autoridades é que o prejuízo total causado pela quadrilha ultrapasse R$ 20 milhões.
Até o momento, quatro pessoas foram detidas: dois funcionários de lojas que facilitavam as fraudes e um casal apontado como líder da organização criminosa. Três suspeitos permanecem presos, enquanto uma mulher foi solta por ordem judicial. Para os prejudicados, que agora carregam nomes manchados por dívidas e vínculos com crimes, resta a expectativa de que o Poder Judiciário mantenha os responsáveis detidos e que o patrimônio apreendido possa ser utilizado para reparar os danos causados.